Chapa de ACM Neto para o Senado
O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, que representa o União, anunciou sua chapa para as eleições ao Senado, alinhando-se ao ex-ministro de Jair Bolsonaro, João Roma, do PL, e ao senador Ângelo Coronel, que não está mais vinculado a nenhum partido, mas foi membro da base do atual governo de Jerônimo Rodrigues, do PT. A escolha de Coronel e Roma marca uma tentativa de consolidar uma aliança forte, enquanto a vaga de vice-governador na chapa foi atribuída ao ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá, do PP. A apresentação oficial dessa pré-candidatura ocorrerá em um evento em Feira de Santana, previsto para esta segunda-feira.
A decisão de ACM Neto representa uma estratégia clara de unir forças com figuras reconhecidas, especialmente com a saída de Coronel do PSD, onde ele buscou reverter sua situação durante reuniões com a liderança estadual e nacional do partido. Essa movimentação poderá impactar significativamente a disputa eleitoral na Bahia, uma vez que a configuração de alianças pode mudar o cenário nas urnas.
Possibilidades de Apoio e Relação com Flávio Bolsonaro
João Roma, que já ocupou o cargo de ministro da Cidadania no governo Bolsonaro e atualmente é presidente estadual do PL, traz consigo a expectativa de que sua candidatura possa contribuir com a articulação para Flávio Bolsonaro, também do PL, que busca fortalecer sua presença no Nordeste. O filho do ex-presidente enfrenta desafios para consolidar alianças na região e, de acordo com registros, demonstrou interesse em trabalhar junto a ACM Neto para criar um palanque robusto na Bahia.
Apesar de ainda não haver negociações formais, a expectativa é que uma reunião entre ACM e Flávio ocorra nos próximos 15 dias, o que pode abrir novas possibilidades para ambos os lados. O apoio explícito de ACM Neto na corrida presidencial, no entanto, ainda é envolto em incertezas, especialmente após seu histórico de apoio ao governador Ronaldo Caiado, que recentemente se filiou ao PSD.
Acordo de Bastidores e o Case Master
Recentemente, surgiram informações que ligam tanto ACM Neto quanto Jaques Wagner ao polêmico caso Master, o que levou os grupos políticos a um acordo de bastidores para evitar que a questão se tornasse um tema central na campanha. De acordo com informações do GLOBO, ACM Neto teria recebido R$ 3,6 milhões de instituições ligadas ao Master, que afirmam ser pagamentos por serviços de consultoria realizados após as eleições de 2022. O ex-prefeito se coloca à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre os valores recebidos.
Por sua vez, o senador Jaques Wagner também se viu envolvido em acusações, com sua nora recebendo R$ 11 milhões da empresa BK Financeira, com laços estreitos com o caso Master. Wagner negou qualquer envolvimento ou conhecimento sobre ações ilegais, ressaltando que nunca participou de negociações para beneficiar a firma citada.
Relações com o PT e a Privatização de Bens Públicos
Dentro desse contexto, o PT também se vê atrelado a questões envolvendo o banqueiro Augusto Lima, que teve conexões com o partido durante sua gestão na privatização da Empresa Baiana de Alimentos. A privatização e a venda de bens públicos sob a administração do ex-governador Rui Costa levantam pontos importantes sobre o envolvimento de partidos e campanhas. Com o ministro Rui Costa, que atualmente chefia a Casa Civil, argumentando que as ações tomadas foram fundamentais para a viabilidade de negócios na Bahia.
Com as novas revelações sobre o caso Master, a decisão dos grupos políticos é clara: focar em temas positivos e evitar conflitos que possam prejudicar a imagem de ambos os lados. Essa leitura conjunta tem como objetivo garantir que a corrida eleitoral se mantenha dentro de um clima de cordialidade e que os interesses individuais não se sobreponham ao bem maior dos respectivos partidos.

