Crescimento sólido da agropecuária baiana no segundo trimestre
A agropecuária da Bahia registrou crescimento de 5,7% no segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. Esse avanço é resultado do desempenho robusto de culturas como soja, algodão, café e cacau, além da expansão da pecuária bovina. Os dados foram atualizados em 24 de setembro pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), no Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia (BCAB). Esse resultado reafirma o setor primário como um dos motores da economia estadual, que projeta uma safra de grãos de 13,3 milhões de toneladas para 2026.
Agropecuária cresce acima do PIB estadual e mantém trajetória positiva
O crescimento de 5,7% refere-se ao volume de produção da agropecuária, incluindo agricultura, pecuária e atividades correlatas. Esse desempenho supera o crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia registrado no mesmo período, quando a economia estadual atingiu R$ 154,7 bilhões em valores correntes. A agropecuária vem mantendo esse ritmo de expansão há seis trimestres consecutivos, após um salto de 12,4% no último trimestre de 2025.
PIB do agronegócio alcança R$ 40,3 bilhões e representa 26,1% da economia
Ao considerar toda a cadeia do agronegócio, que inclui insumos, indústrias, transporte, comércio e serviços ligados ao setor rural, o crescimento foi de 4,7% no segundo trimestre de 2026. O valor corrente do PIB do agronegócio somou R$ 40,3 bilhões, correspondendo a 26,1% da economia baiana. Essa diferença entre o avanço da agropecuária e do agronegócio se explica pela abrangência mais ampla da cadeia produtiva, que é impactada por fatores como preços, logística e serviços.
Produção física cresce, mas peso econômico sofre influência dos preços
Apesar do aumento na produção física, a participação do agronegócio no PIB estadual caiu em relação a 2025. No segundo trimestre daquele ano, o setor representava 29,6% da economia com R$ 41,9 bilhões em valores correntes. A redução para 26,1% em 2026 reflete a queda nos preços dos produtos agropecuários e alimentares, evidenciando que maior produção não necessariamente eleva a renda nominal gerada pelo setor.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Safra recorde de grãos mantém expectativa otimista para 2026
O acompanhamento mais recente da SEI, referente a agosto, mantém a previsão de produção de 13,3 milhões de toneladas de grãos em 2026, um aumento de 3,2% em relação a 2025. Essa projeção está estável desde o último levantamento e representa uma reviravolta diante das estimativas iniciais do IBGE, que indicavam queda na safra após o recorde de 12,8 milhões de toneladas em 2025. O comportamento das chuvas e as condições favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras foram determinantes para essa revisão positiva.
Soja lidera produção com 8,93 milhões de toneladas estimadas
A soja segue como principal cultura da Bahia, com previsão de 8,93 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 3,8% na comparação anual. A área plantada está estimada em 2,18 milhões de hectares, com rendimento médio de 4,1 toneladas por hectare. No Oeste da Bahia, principal polo produtor, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) reportou colheita de 9,448 milhões de toneladas em 2,218 milhões de hectares, utilizando metodologia distinta do IBGE, o que explica as diferenças entre os dados.
Algodão e milho seguem em expansão, apesar de desafios
O algodão deve alcançar produção entre 1,84 e 1,85 milhão de toneladas, aumento de 2,8% em relação a 2025, com área plantada de 410 mil hectares. A Bahia mantém a posição de maior produtor de algodão do Nordeste e segundo do país, atrás apenas do Mato Grosso. O milho, por sua vez, deve registrar produção de 2,80 milhões de toneladas, alta de 2,3%, com crescimento da área plantada para 630 mil hectares. A demanda pelo milho também é impulsionada pelo uso crescente na produção de etanol, ampliando a importância econômica da cultura.
Café e cacau apresentam crescimento relevante
Entre as culturas permanentes, o café deve atingir 294 mil toneladas, alta de 12,5%, com destaque para o café canéfora, que pode crescer 18,1%. O cacau apresenta expansão ainda maior, de 15,4%, com produção estimada em 137 mil toneladas, apesar da redução da área colhida, reflexo da melhora no rendimento médio. Já a cana-de-açúcar e a mandioca registram quedas na produção, mostrando o contraste entre os diferentes segmentos do setor.
Aumento histórico no abate de bovinos reforça a pecuária
A pecuária contribuiu significativamente para o desempenho do setor no trimestre, com cerca de 390 mil bovinos abatidos, volume 0,9% maior que o registrado em 2025 e que representa o maior índice da série histórica. O abate de suínos cresceu 4,9%, alcançando 74 mil cabeças, enquanto o abate de frangos atingiu 36 milhões de aves, expansão de 8,6%. A aquisição de leite cru também atingiu recorde, com 161,1 milhões de litros no primeiro trimestre.
Exportações de carnes impulsionam receita e volume
As exportações de carnes da Bahia tiveram aumento de 17% em valor e 15,1% em volume no segundo trimestre em relação ao ano anterior. Esse resultado reforça a conexão entre a produção pecuária e o comércio internacional, mas também evidencia a vulnerabilidade do setor às condições externas, como preços internacionais, câmbio e políticas comerciais.
Recuperação em 2025 impulsiona resultados de 2026
O crescimento atual se apoia na forte recuperação observada em 2025, quando a produção de grãos cresceu 12,8%, com destaque para a soja. As revisões de projeções ao longo de 2026 refletem a influência do clima, área plantada e produtividade, mostrando a dinâmica e a incerteza inerentes ao planejamento agrícola. A integração crescente entre produção, indústria, transporte e comércio reforça a importância do agronegócio para a economia baiana, mas também expõe o setor a diversos riscos econômicos e estruturais.

