Um Cenário Alarmante de Apreensões
O aprimoramento na fiscalização em portos e aeroportos de grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, tem reconfigurado as rotas do tráfico de drogas no Brasil. Com o controle intensificado nesses pontos estratégicos, grupos criminosos buscam alternativas, e a Bahia se tornou um novo polo para a movimentação de drogas, conforme relata Luiz Cláudio Lourenço, sociólogo e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Os dados de 2025 revelam um aumento considerável nas apreensões, com cerca de 10 toneladas de entorpecentes confiscadas no estado baiano — isso representa um crescimento de 60% comparado a 2024 e é o maior volume registrado desde 2021.
Segundo Lourenço, que faz parte do Laboratório de Estudos em Crime e Sociedade (LASSOS-Ufba), esse incremento nas apreensões reforça a ideia de que a Bahia está se tornando um elo importante nas rotas do tráfico internacional. “Essa situação já foi observada em outras capitais do Nordeste que têm portos e aeroportos com conexões para países consumidores de drogas”, explica o especialista.
Informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontam que a Bahia registrou em média 23 ocorrências diárias de tráfico de drogas em 2025. O mês de dezembro se destacou com a apreensão de mais de 6,5 toneladas de entorpecentes, representando cerca de 64,8% do total do ano. Uma significativa parte desse volume resultou de uma operação em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, onde a Polícia Militar confiscou aproximadamente 958 kg de maconha, após uma denúncia sobre um imóvel utilizado para armazenamento de drogas na área.
De acordo com Lourenço, o aumento nas apreensões pode refletir tanto a eficácia das ações policiais quanto um crescimento real na circulação de drogas na Bahia. Ele enfatiza a necessidade de um detalhamento maior sobre as circunstâncias das apreensões, incluindo os locais e as metodologias, para entender o significado desses números. As apreensões são realizadas pelas polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal.
“Por exemplo, se as apreensões ocorreram em estradas, portos ou aeroportos, isso sugere um aumento na circulação de drogas na Bahia como uma rota de passagem. Se, ao contrário, essas apreensões foram feitas em pontos de venda nas cidades, podemos estar diante de um aumento do tráfico no varejo”, esclarece o pesquisador.
Crescimento das Apreensões de Armas: Um Outro Desafio
O sociólogo também destaca que o aumento nas apreensões de armas de fogo segue a mesma lógica observada nas drogas. Em 2024, foram confiscadas 7.631 armas na Bahia, o que equivale a uma média de 21 por dia – um aumento de 21% em relação ao ano anterior e o maior número desde o início do registro da série histórica do Sinesp em 2015. Entre os tipos de armas apreendidas, destacam-se os revólveres (2.220), espingardas (1.901) e pistolas (1.659).
“Se as ações policiais permaneceram consistentes, isso pode indicar que mais armas estão circulando na Bahia. Porém, esse aumento também pode ser um reflexo de um esforço maior nas investigações e operações policiais”, defende Luiz Cláudio Lourenço.
A Secretaria de Segurança Pública do estado confirma que o aumento nas apreensões de armas e drogas foi impulsionado por um investimento de R$1,2 bilhão nas Polícias Militar, Civil e Técnica, além do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, nos últimos três anos. Medidas que, sem dúvida, têm gerado impacto significativo na segurança pública do estado.

