Um Retrato da Gestão de Jerônimo Rodrigues
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), completa três anos de mandato e, surpreendentemente, obteve uma nota de apenas 5.1 em uma recente pesquisa do AtlasIntel. Com isso, ele ocupa a 11ª posição no ranking de governadores do Brasil. Os números revelam um cenário de reprovação, com 45% dos entrevistados expressando insatisfação e 4% dizendo não saber avaliar seu governo. Embora a nota seja considerada baixa, sobretudo para um governante que subiu ao cargo após gestões petistas, o que suscita questionamentos sobre seu desempenho e ações até aqui.
O governador assumiu a chefia do estado após uma sequência de administrações que sempre se orgulharam de apresentar a Bahia como um estado em desenvolvimento. Com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao seu lado, a expectativa era de que Jerônimo conseguisse impulsionar a sua avaliação, mas os resultados não correspondem a isso.
Metas e Expectativas para o Governo
Em um almoço com jornalistas, o deputado Rosemberg Pinto (PT), líder da Maioria na Assembleia, defendeu que a nota de Jerônimo nas pesquisas internas é superior a 5.1, insinuando que a metodologia do AtlasIntel pode ter favorecido uma avaliação negativa. No entanto, ele não apresentou os dados internos que sustentam essa afirmação. Essa falta de transparência gera mais questionamentos sobre a realidade do governo.
Partindo de uma analogia com o contexto escolar, muitos se lembram de como eram avaliados durante os estudos. Com notas de 5 sendo consideradas insatisfatórias, é de se esperar que um governador que tem um orçamento robusto de R$ 77 bilhões ao ano e grandes aliados, como Lula e Rui Costa, consiga resultados mais expressivos.
Os Desafios da Gestão Atual
Embora Jerônimo tenha um perfil ativo, realizando longas viagens para inaugurações, a sua gestão enfrenta críticas acerca da falta de um planejamento eficaz e contemporâneo. A ausência de um projeto de desenvolvimento econômico coeso é uma das principais queixas. Muitas das obras que são realizadas são 100% públicas, como colégios em tempo integral e hospitais, mas carecem de uma conexão com a iniciativa privada que poderia trazer inovação e também sustentar economicamente a população.
As questões de segurança pública também são alarmantes, uma vez que a presença de organizações criminosas tem crescido tanto na capital quanto no interior do estado. A sociedade baiana sente os impactos dessa criminalidade, afetando a sensação de segurança e estabilidade.
Investimentos e Resultados Econômicos
Ainda assim, o governo de Jerônimo tem sido apontado por alguns como um exemplo de investimento, com um total de R$ 4,12 bilhões empregados em áreas sociais e de infraestrutura entre janeiro e agosto deste ano. A Bahia conseguiu se destacar como líder em investimentos entre os estados brasileiros, superando São Paulo. Contudo, a dívida pública ainda é um tema controverso, com a administração insistindo que a situação financeira do estado é sólida e que compromissos financeiros estão sendo honrados.
Manoel Vitório, secretário da Fazenda, comentou que a dívida consolidada do estado caiu de R$ 35,3 bilhões em dezembro de 2024 para R$ 32,7 bilhões em outubro deste ano. Essa redução, segundo ele, é resultado de uma gestão fiscal responsável, embora os críticos questionem como tantos recursos não resultaram em uma melhoria mais visível na qualidade de vida da população.
Em Busca da Reeleição
Com apenas seis meses restantes em seu mandato, Jerônimo enfrenta a difícil tarefa de melhorar sua avaliação antes da campanha para reeleição. Este é um período crucial, pois a legislação limita a inauguração de obras e a propaganda governamental. Assim, a estratégia do petismo se concentra em fortalecer sua chapa com figuras conhecidas, como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, buscando um impulso nas urnas.
A gestão de Jerônimo, que chegou a um saldo orçamentário considerável ao longo de seus três anos, com um total de R$ 231 bilhões e empréstimos adicionais, ainda precisa demonstrar resultados concretos que justifiquem a confiança do eleitorado. A falta de projetos com a marca do governador e a percepção negativa da gestão podem se tornar obstáculos significativos em sua busca pela reeleição.
Portanto, a mensagem parece clara: para Jerônimo Rodrigues, a hora de agir é agora. A população e a política baiana observam atentamente como o governador lidará com os desafios que ainda estão por vir neste final de mandato.

