Algodão impulsiona economia baiana com produção recorde
A Bahia se firmou como o segundo maior polo produtor de algodão no Brasil, alcançando 1.830.972 toneladas de algodão herbáceo em caroço em 2025, conforme dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor da produção chegou a R$ 7,85 bilhões, representando um crescimento nominal de 21,9%, ou cerca de R$ 1,4 bilhão a mais que em 2024, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri). Esse avanço configura o algodão como a segunda lavoura de maior valor econômico no estado, ficando atrás apenas da soja, que movimentou R$ 16,55 bilhões.
Concentração da produção e municípios líderes no Oeste
A produção baiana está fortemente concentrada no Oeste, região do Cerrado que oferece condições favoráveis para agricultura em grande escala, com solo, relevo e tecnologia adequados. Com 407 mil hectares destinados ao algodão, São Desidério lidera o ranking estadual com 700.456 toneladas produzidas, sendo o terceiro maior produtor nacional. Outros municípios importantes são Formosa do Rio Preto, Correntina, Riachão das Neves e Barreiras, que juntos formam o núcleo agrícola e tecnológico da cotonicultura baiana.
Valor econômico e desafios do setor algodoeiro
O valor da produção de algodão na Bahia atingiu R$ 7,85 bilhões em 2025, consolidando sua posição como segunda cultura mais valiosa no estado. No cenário nacional, o valor chegou a R$ 40,57 bilhões, com Mato Grosso liderando como maior produtor. Contudo, o crescimento nominal não representa necessariamente aumento real de renda, pois envolve variações de preços, câmbio, produtividade e custos. A cotonicultura está sujeita a riscos associados às oscilações do mercado internacional, logística e custos de produção, que impactam diretamente a rentabilidade.
Produtividade e tecnologia alavancam produção
O desempenho da cotonicultura baiana é sustentado por alta produtividade, que alcançou cerca de 2.000 quilos de pluma por hectare na safra 2023/2024, segundo dados da Seagri e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). A combinação de solo fértil, clima favorável e relevo plano com mecanização, agricultura de precisão e seleção genética explica esses números. Importante destacar que a PAM mede o algodão em caroço, enquanto a produtividade avaliada refere-se à pluma após beneficiamento, o que exige cuidado na comparação dos indicadores.
Controle fitossanitário é essencial para manter produtividade
O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) permanece como principal desafio fitossanitário da cultura. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) mantém rigorosas medidas sanitárias, como vazio sanitário e fiscalização, para conter a praga e evitar prejuízos. A coordenação entre produtores, entidades e fiscalização pública é fundamental para garantir a saúde das lavouras e a continuidade da produção.
Investimentos públicos fortalecem infraestrutura agrícola
O Programa para o Desenvolvimento da Agropecuária (Prodeagro) tem papel relevante no avanço do setor, financiando obras de infraestrutura no Oeste da Bahia que melhoram o escoamento e a logística da produção. O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, destaca que essas ações buscam unir ganhos de produtividade a melhorias logísticas e sustentabilidade, elementos essenciais para manter a competitividade da cotonicultura diante da expansão da produção e da demanda internacional.
Indicação Geográfica valoriza algodão branco do Oeste
Produtores e instituições do Oeste baiano caminham para obter Indicação Geográfica (IG) para o algodão branco da região. Em 2026, foram criados grupos de trabalho para conduzir o processo, que visa associar a origem geográfica às características da pluma e fortalecer seu diferencial comercial. O reconhecimento formal depende do cumprimento de critérios técnicos, territoriais e de governança, e representa uma estratégia para agregar valor à cadeia produtiva.
Exportações ampliam alcance internacional da produção
Entre 60% e 70% da pluma produzida na Bahia é destinada ao mercado externo, com destaque para países asiáticos como China, Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia. No primeiro semestre de 2026, a Bahia concentrou 88% das exportações de algodão do Nordeste, tornando-se peça-chave na inserção internacional do produto. Contudo, a dinâmica dos mercados internacionais requer atenção constante às demandas, preços e logística para garantir a competitividade do algodão baiano.
Brasil projeta safra recorde de algodão em 2025/2026
O crescimento da cotonicultura na Bahia integra um cenário nacional otimista. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou produção recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma para a safra 2025/2026, com produtividade média de 2.053 quilos por hectare. Apesar da redução da área plantada, o aumento da oferta reforça a posição do Brasil no comércio internacional, elevando a importância de uma logística eficiente e manutenção de mercados.
Transformação da cotonicultura no Oeste desde os anos 1990
A expansão atual do algodão no Oeste baiano tem origem na década de 1990, quando a produção iniciou com 2.400 hectares e cresceu com a adoção de tecnologia, mecanização e pesquisa adaptada ao Cerrado. Entre 1990 e 2000, a produção saltou de 7.583 para 123.769 toneladas. Esse movimento acompanhou a transferência da cotonicultura para o Cerrado, que oferece condições para cultivo em larga escala e aprimoramento tecnológico.
Dia Mundial do Algodão reforça importância econômica e comercial
Instituído em 2019 e reconhecido pela ONU em 2021, o Dia Mundial do Algodão celebra a cultura em 7 de outubro, data que em 2026 destaca a Bahia com sua produção significativa. O tema do ano, “Algodão para o bem comum: construindo prosperidade por meio do comércio, da transformação e da colaboração”, ressalta a importância de avançar na agregação de valor e sustentabilidade da cadeia produtiva, desafios que envolvem ampliar o beneficiamento industrial além da mera comercialização da fibra como commodity.
Dados confirmam papel estratégico do algodão na economia baiana
A PAM 2025 consolida o algodão como peça fundamental da agricultura da Bahia, com impacto direto na geração de receita, empregos e na cadeia produtiva que envolve beneficiamento, logística e comércio exterior. O crescimento expressivo do valor da produção reforça sua relevância, embora seja necessário observar que fatores como preços internacionais, custos e câmbio influenciam a rentabilidade real dos produtores. A dependência do mercado externo torna a cadeia sensível a variações globais, o que exige atenção constante às condições comerciais e fitossanitárias para manter a competitividade no longo prazo.

