Eventos Literários em Ascensão
A Bienal do Livro da Bahia, terceira maior do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, se destaca no calendário nacional após um hiato de nove anos entre 2013 e 2022. O retorno esperado para 2020 foi adiado devido à pandemia, mas desde então, a feira vem se solidificando como um importante evento cultural. Para esta edição, a expectativa é que mais de 120 mil pessoas visitem o evento, superando o recorde anterior, que foi de 100 mil visitantes.
Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions, empresa responsável pela organização da Bienal, destaca a crescente participação de autores e editoras baianas. “Em 2013, a presença de publicações locais era baixa. Contudo, ao longo dessa última década, notamos um aumento significativo de selos independentes na programação do evento, refletindo uma mudança no cenário literário baiano”.
Um Reflexo das Mudanças no Mercado Editorial
A transformação recente no mercado editorial brasileiro contribuiu para essa mudança, com um foco maior na diversidade e na inclusão de autores de fora do eixo Rio-São Paulo. Eventos literários em todo o país têm se aberto para editoras independentes, ampliando a visibilidade de novos talentos. Joselia Aguiar, jornalista e escritora, e uma das curadoras do evento, ressalta que a Bahia já possui uma cena literária rica e diversificada, que se fortaleceu independentemente das tendências nacionais. No ano passado, mais de cem festas literárias foram realizadas no estado, segundo dados da Fundação Pedro Calmon.
“Essas mudanças no mercado literário, que ocorreram em várias partes do Brasil, são claramente visíveis na Bahia. Durante a Bienal de 2022, já percebemos uma demanda maior. Por exemplo, em mesas com capacidade para 150 pessoas, recebíamos até 400 inscrições. Isso mostra que Salvador é um caso à parte”, analisa Joselia, que também atuou como curadora da Festa Literária Internacional de Paraty em 2017 e 2018.
Desigualdades Persistentes e Oportunidades Locais
Embora haja avanços, o escritor Evanilton Gonçalves, autor de “Ladeira da Preguiça”, observa que ainda existem desigualdades que dificultam a inclusão de muitos autores em grandes eventos. “Muitos escritores renomados enfrentam dificuldades para encontrar espaço, pois as grandes editoras ainda estão concentradas nos eixos tradicionais. Apesar de termos avançado, ainda há um longo caminho pela frente”, afirma.
Participando pela primeira vez da Bienal, Evanilton acredita que o foco na literatura da Bahia é uma oportunidade para o público redescobrir suas raízes. “Ainda há muitos na Bahia que desconhecem meu trabalho. O evento é uma chance para que esses leitores conheçam mais sobre a literatura local e suas vozes”, destaca.
Autoras em Destaque
Entre as participantes, Bethânia Pires Amaro, ganhadora do Prêmio Sesc de Literatura com o romance “O Ninho”, traz sua vivência familiar como inspiração para suas obras. “A Bahia é um espaço que exporta cultura e apresenta uma visão do mundo a partir de sua identidade única”, afirma.
Elayne Baeta, que superou dificuldades em sua infância, hoje é uma das autoras mais vendidas do Brasil com seu romance “O amor não é óbvio”, o primeiro best-seller juvenil nacional com protagonistas lésbicas. Sua história é um exemplo de superação e representatividade.
Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má no YouTube, se destaca com seu livro “Como se livrar de um relacionamento ordinário” e, em 2025, lançará um livro infantil que aborda a autoaceitação e autoestima de uma jovem negra. Essas autoras exemplificam a rica diversidade da literatura baiana, que promete ser um dos destaques da Bienal.

