Cultura e Ancestralidade em Foco
No último domingo, o Bloco Afro Infantil Ibéji fez um desfile vibrante no Campo Grande, em Salvador, transformando o Circuito Osmar em um verdadeiro espaço de formação e celebração da cultura afro-brasileira. Com uma mistura contagiante de música e dança, o cortejo atraiu cerca de 800 participantes, incluindo crianças, familiares e apoiadores, todos unidos por um propósito comum: valorizar a ancestralidade e a identidade cultural.
Em 2026, o bloco completará 32 anos de fundação e, para esta ocasião marcante, trouxe o tema “Kitembu – Guardião da Vida, dos Ciclos e da Ancestralidade”, refletindo sobre a importância das raízes africanas na formação da sociedade brasileira. Um dos momentos mais esperados do desfile foi o lançamento da canção inédita “Negra Rainha”, que tem como objetivo reforçar a autoestima e o empoderamento de meninas negras desde a infância, uma iniciativa que merece destaque pela sua relevância social.
O Ibéji, que tem se mostrado uma força significativa na promoção da cultura afro, é um dos grupos contemplados pelo programa Ouro Negro, promovido pelo governo da Bahia. Este programa é fundamental para o fortalecimento de blocos afro, afoxés e outras manifestações culturais de matriz africana, especialmente durante o Carnaval e demais festas populares que chamam a atenção para a diversidade cultural da Bahia.
Os organizadores do evento destacaram a importância não apenas da festa em si, mas também do aprendizado e do fortalecimento da identidade cultural entre as crianças envolvidas. “Através da música e da dança, conseguimos transmitir nossas histórias e valorizar nossa herança cultural”, afirma um dos coordenadores do bloco, que preferiu não se identificar. Segundo ele, o desfile serve como um espaço de resistência e afirmação cultural, essencial em tempos onde a diversidade muitas vezes é ofuscada.
Com o aumento da participação da comunidade, a expectativa é que iniciativas como esta continuem a crescer e a inspirar novos projetos voltados para a educação e a valorização da cultura afro. A união de pais e apoiadores é um reflexo do desejo coletivo de promover um futuro mais inclusivo e consciente das suas raízes. A presença expressiva do público no desfile é um sinal claro de que a cultura afro-brasileira está viva e pulsante, pronta para conquistar cada vez mais espaços.
À medida que o bloco se prepara para seu próximo aniversário, a expectativa é que o impacto gerado por eventos como este reverberem não apenas no Carnaval, mas em outras esferas sociais, promovendo um diálogo constante sobre a importância da ancestralidade e da educação cultural nas gerações futuras. O Ibéji, sem dúvida, se consolida como um dos pilares dessa luta.

