Evolução da Cacau Show em um Ecossistema de Experiências
A Cacau Show, tradicionalmente conhecida por seus chocolates, está se reinventando. Recentemente, a marca tem se afastado de sua imagem apenas como fabricante de doces e investido em um modelo de negócios que prioriza a experiência do consumidor. Essa mudança de enfoque é parte de um ambicioso plano para atingir a marca de R$ 20 bilhões em vendas nos próximos anos.
Nos últimos tempos, a empresa tem avançado na integração de sua rede de hotéis, batizada de Bendito Cacao, enquanto também desenvolve um parque temático, o Cacau Park, no interior de São Paulo. Segundo Alê Costa, fundador e CEO da companhia, esses esforços visam criar um verdadeiro “ecossistema” em torno da marca. “Cacau Show não é apenas uma indústria de chocolates”, afirmou ele em entrevista à Bloomberg Línea.
Costa acredita que o futuro é promissor: “Nos próximos três a cinco anos, as experiências fora do setor de chocolate podem representar até metade dos nossos negócios”, estimou o executivo.
Uma História de Crescimento e Desafios
Fundada em 1988 por Alê Costa, a Cacau Show começou sua trajetória no chocolate ainda na adolescência, quando fabricou ovos de Páscoa para venda. A primeira loja física foi inaugurada em 2001 e, logo, a marca se destacou pelo sistema de franquias, que continua sendo a base do seu modelo atual, somando 4.714 lojas, sendo 4.292 franqueadas.
No entanto, o crescimento não veio sem desafios. O aumento estrondoso no preço do cacau, que saltou de cerca de US$ 3 mil para US$ 12 mil por tonelada, forçou a empresa a reavaliar sua abordagem. “Perdemos quase 50% do nosso lucro”, desabafou Costa. O cacau representa de 40% a 50% do custo de produção da marca.
Em vez de repassar o aumento ao preço final para os franqueados, a Cacau Show optou por absorver uma parte do impacto, uma decisão que, embora tenha pressionado a rentabilidade, foi vista como necessária para proteger a rede de franquias e continuar a expansão.
Investimentos em Produção Sustentável
Costa revelou que a Cacau Show já possui contratos de compra de cacau com meses de antecedência, buscando garantir preços mais estáveis. “Temos garantias de fornecimento até 2026 e 2027”, destacou. Apesar da recente queda nos preços do cacau na bolsa de Nova York, os efeitos positivos para a empresa devem ser sentidos somente no futuro.
Como parte de uma estratégia de controle maior sobre sua cadeia produtiva, a Cacau Show possui uma pequena operação própria na Fazenda Dedo de Deus, no Espírito Santo, que cultiva mais de 50 mil árvores de cacau. Embora essa produção represente apenas cerca de 5% da demanda total, a empresa planeja expandir sua área cultivada. “Estamos à procura de novas terras para implementar um modelo de cultivo mais eficiente”, afirmou Costa, buscando aumentar a produtividade.
Outra novidade é a operação de dois resorts da marca, localizados em Águas de Lindóia e Campos do Jordão. As diárias nos resorts variam de R$ 1.188 a R$ 3.164, dependendo da acomodação escolhida, oferecendo aos hóspedes uma experiência única, com acesso a várias atividades.
Planos Ambiciosos e Expectativas de Crescimento
Com uma produção prevista de 40 mil toneladas de chocolates para 2025 e uma projeção de crescimento de 14% para este ano, a Cacau Show continua a expandir sua atuação. A empresa ainda está investindo R$ 2,5 bilhões em um parque temático que tornará a experiência do cliente ainda mais rica.
O faturamento anual do grupo está estimado em cerca de R$ 5 bilhões no segmento de vendas para franqueados e R$ 9 bilhões nas vendas diretas ao consumidor. A meta é alcançar R$ 10 bilhões no sell-in e R$ 20 bilhões no sell-out até 2030. A Páscoa, época emblemática para a marca, representa uma parte significativa deste volume, com a expectativa de um aumento de 13,6% entre fevereiro e abril de 2026.
Além disso, a Cacau Show aposta em produtos licenciados que têm grande apelo entre o público jovem, como itens da Looney Tunes e Harry Potter, representando uma parte considerável das vendas durante a Páscoa.
Mesmo com essa diversificação, Costa reafirma que todos os segmentos da empresa estão interligados: “Não são negócios separados. É o cacau e o chocolate sob várias perspectivas”.
Por fim, a marca já iniciou operações no mercado internacional, com ações na Colômbia e nos Estados Unidos, embora o foco no momento permaneça no Brasil, com a consolidação do seu ecossistema de experiências e produtos. “Estamos organizando nossos investimentos e estruturando este ecossistema”, concluiu Costa, delineando um futuro promissor para a Cacau Show.

