Polêmica em Torno do Novo Uniforme do Bahia
A família de Glauber Rocha, renomado cineasta brasileiro, expressou descontentamento após o Esporte Clube Bahia lançar uma nova camisa sem a devida consulta. O uniforme, que faz parte da coleção da temporada 2025/26, foi desenvolvido em parceria com a Puma e é inspirado na obra icônica “Deus e o diabo na terra do sol”. A ausência de diálogo com os herdeiros pode levar o caso a se desenrolar na Justiça.
O Bahia, que atualmente opera sob o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e faz parte do City Football Group (CFG), tem ampliado sua presença no cenário esportivo. A holding, sediada no Reino Unido, é conhecida por gerenciar vários clubes ao redor do mundo, incluindo o renomado Manchester City. Essa estrutura tem possibilitado ao clube baiano explorar novas oportunidades, mas também gerado controvérsias, como a atual.
A nova camisa faz parte da iniciativa “Bahia de Todas as Artes”, um projeto que visa celebrar a riqueza cultural nordestina. Com um design ousado que mistura o fundo vinho a contornos amarelos em forma de sóis, a peça busca remeter à força e à luz do sertão, regiões que têm uma ligação direta com a obra de Glauber Rocha. O tema da camisa, intitulada “Tropical, Novo e Marginal”, reflete uma tentativa do clube em se conectar com as raízes artísticas e sociais da Bahia.
Os membros da família Rocha, ao serem informados sobre o lançamento, demonstraram insatisfação, considerando que a figura de Glauber Rocha é um símbolo cultural importante e deveria ter sido respeitada. A falta de consulta prévia tem gerado discussões sobre direitos autorais e uso da imagem de personalidades históricas, levantando questionamentos sobre o papel das instituições ao homenagear tais figuras.
Com as recentes polêmicas em torno do uso de ícones culturais, a situação com o Bahia serve como um alerta sobre a necessidade de diálogo entre clubes e famílias de artistas. O valor da memória cultural e a forma como ela é utilizada em campanhas publicitárias e produtos oficiais são temas que merecem atenção e respeito.
Esse episódio não apenas reflete as tensões entre direitos autorais e a utilização de obras artísticas, mas também uma oportunidade para que o Bahia reavalie suas estratégias de marketing e comunicação. Um especialista em direitos autorais, que preferiu não se identificar, comentou que essa situação pode estabelecer um precedente importante para futuras homenagens a figuras públicas: “É fundamental que as instituições respeitem a vontade das famílias ao explorar legados culturais”.
Como o Bahia se posicionará diante dessa situação? Será que o clube irá considerar um diálogo com a família Rocha para evitar um desfecho judicial? O desdobramento dessa polêmica promete continuar sendo monitorado de perto pela imprensa e pelos torcedores, evidenciando o papel da cultura na identidade de um clube de futebol e a responsabilidade que isso implica.

