PSD Rejeita Candidatura de Caiado e Críticas à Anistia Proposta
Os bastidores da política nacional estão em ebulição após o lançamento da candidatura de Ronaldo Caiado à presidência da República. Membros do PSD que apoiam a reeleição do presidente Lula expressaram descontentamento com a posição de Caiado, especialmente em relação à sua proposta de anistia ampla aos réus e condenados ligados aos eventos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe.
O líder do PSD no Senado, Otto Alencar, não hesitou em criticar a declaração de Caiado. Em entrevista à CNN, ele ressaltou: “A declaração do Caiado vem totalmente contra o que eu e grande parte do partido pensamos. Sou contra anistia, atuei aqui no Congresso contra a anistia e ele já vem contrariando a minha posição.” Essa discordância revela uma fissura na base do partido, que parece se distanciar das ideias de seu novo candidato.
Alencar, que também preside o diretório do partido na Bahia, reforçou que a aliança do PSD com Lula se mantém firme. “Aqui na Bahia, temos aliança com Lula. O PSD vai votar inteiramente com Lula. São 115 prefeitos, 18 candidatos a deputado federal, 7 estaduais. O PSD completo com Lula”, destacou. Ele também posicionou a candidatura de Caiado como uma tentativa infrutífera na Bahia, afirmando que o verdadeiro palanque na região é o União Brasil de ACM Neto, seu adversário.
O cenário de divisão no PSD não se limita à Bahia. Alencar mencionou que essa troca de farpas ocorre em diversos estados. “Como é também no Amazonas: o Omar vota com Lula. No Rio Grande do Sul com Eduardo Leite, no Rio de Janeiro com Eduardo Paes, em Pernambuco com Raquel Lyra, no Sergipe. E muitos, como eu, não fomos consultados sobre a candidatura de Caiado”, assegurou.
Apesar da insatisfação crescente, Alencar acredita que o partido não barrará a candidatura de Caiado na convenção. “Eu não vou apoiar, mas também não vou atrapalhar. Agora, aqui na Bahia, não haverá apoio do PSD”, afirmou. Esse posicionamento deixa claro a tensão interna que o partido está enfrentando neste momento decisivo.
O líder do PSD também expressou sua preocupação com a forma como a candidatura de Caiado foi apresentada. “Na minha opinião, para um candidato do partido, ele teria que ter chegado bem antes e visitado os diretórios estaduais. A candidatura não pode ser surpresa. Tem que sair dois anos percorrendo o Brasil, olhando estado por estado. Isso vai dizer quem vai se viabilizar”, criticou.
Com as eleições se aproximando, a polarização política e os descontentamentos internos no PSD podem criar um cenário caótico. Enquanto Caiado tenta reforçar sua imagem nacional, os membros do partido parecem estar cada vez mais unidos em sua posição de apoio a Lula. Resta saber como essa disputa interna influenciará a dinâmica política nas próximas semanas.

