Capacitação em Acessibilidade no Esporte
A Secretaria Nacional de Paradesporto (SNPAR), vinculada ao Ministério do Esporte (MEsp), realiza nos dias 13 e 14 de março, na Arena Fonte Nova, em Salvador, uma formação voltada à Acessibilidade e Atendimento à Pessoa com Deficiência ou com Mobilidade Reduzida durante os jogos. Esta ação é parte de uma agenda maior do Ministério para promover a inclusão social, combater o capacitismo e aumentar a acessibilidade em espaços esportivos em todo o Brasil.
O curso é destinado a colaboradores e terceirizados do Esporte Clube Bahia e da Arena Fonte Nova que têm contato direto com o público nos dias de jogos, incluindo equipes de catracas, segurança, serviços de alimentação, museu, hospitalidade e atendimento a sócios. Foram organizadas quatro turmas, duas para cada dia de capacitação, garantindo um aprendizado abrangente.
Durante a capacitação, o secretário nacional de Paradesporto, Fábio Araújo, destacou a importância do esporte como um direito universal. “A acessibilidade inicia-se com ações simples, como a orientação de um torcedor até seu assento. No entanto, é vital que essa prática evolua para garantir a autonomia e o respeito de todos em toda a experiência esportiva”, disse Araújo, ressaltando que transformar atitudes e estruturas é essencial no combate ao capacitismo.
O Paradesporto e a Inclusão
Neste contexto, o paradesporto se revela como um campo estratégico que inclui diversas modalidades para pessoas com diferentes tipos de deficiência, abrangendo sistemas de organização, classificação e competição próprios. Durante a capacitação, os participantes são incentivados a refletir sobre a compreensão moderna de deficiência, que considera uma perspectiva biopsicossocial.
A formação ressalta que a acessibilidade não é benéfica apenas para aqueles que dela dependem diretamente. Muitas pessoas, ao ter acesso facilitado, podem aproveitar eventos esportivos em igualdade de condições. O treinamento abrange a importância de práticas cotidianas que garantem um ambiente inclusivo nos dias de jogos, como a correta orientação para assentos acessíveis e a promoção de deslocamento seguro e comunicações adequadas.
Práticas Cotidianas e Desafios
A capacitação também discute situações comuns enfrentadas em estádios e arenas esportivas, destacando a relevância de atitudes como perguntar “posso ajudar?” e respeitar o tempo e ritmo de cada indivíduo, evitando suposições sobre suas necessidades de assistência. Os participantes aprendem sobre como atender adequadamente pessoas com deficiências físicas, visuais, auditivas, intelectuais e aqueles com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), levando em conta as especificidades de cada grupo.
O conteúdo da formação inclui diretrizes sobre como conduzir pessoas cegas com segurança, se comunicar com aqueles que possuem deficiência auditiva e o uso adequado da Língua Brasileira de Sinais (Libras), além de promover ambientes mais seguros e previsíveis para indivíduos com TEA. Exemplo de tecnologias assistivas também é apresentado, ampliando a autonomia e participação, enquanto se reforça a importância da informação e comunicação acessível.
Desafiando o Capacitismo
Um dos focos centrais da capacitação é o enfrentamento ao capacitismo. A SNPAR discute comportamentos e expressões capacitistas que ainda são comuns, que associam deficiência à incapacidade ou à ideia de superação heroica. A formação apresenta orientações sobre o uso de uma linguagem respeitosa, reconhecendo as pessoas com deficiência como plenas detentoras de direitos.
A relevância dessa iniciativa é corroborada por dados do Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE, que aponta que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Contudo, apenas uma fração dos municípios brasileiros implementa ações esportivas específicas voltadas para esse público. O secretário Araújo destaca a necessidade urgente de investimentos em formação, infraestrutura e mudança cultural nos espaços esportivos, visando uma verdadeira inclusão.

