Redução expressiva da rede física
A Casas Bahia deu início a uma fase intensa de reestruturação, com o fechamento de quase 30% das suas lojas em todo o país. Entre os dias 13 e 14, centenas de unidades foram encerradas, e milhares de funcionários dispensados. Segundo o jornal Valor Econômico, 298 pontos comerciais estão em processo de fechamento, o que corresponde a 28,7% das cerca de mil lojas que a rede possuía em março. Essa redução supera com folga os ajustes dos últimos anos, que eram feitos em ritmo bem mais lento, de algumas dezenas de fechamentos anualmente.
Impacto no quadro de funcionários
Além do corte nas lojas, a empresa também promoveu demissões em massa. Na quinta-feira, 600 colaboradores foram desligados, e para a sexta-feira a previsão era de mais 1,3 mil a 1,4 mil demissões. Ao todo, entre as duas datas, entre 1,9 mil e 2 mil empregos foram perdidos, o que representa cerca de 6,7% da força de trabalho da companhia. Essa medida integra um programa de redução de despesas que a varejista deve detalhar ao mercado em breve.
Prejuízos bilionários pressionam a reestruturação
O cenário financeiro da Casas Bahia segue delicado. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou um prejuízo de R$ 1,064 bilhão, um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o resultado negativo foi de R$ 408 milhões. Em 2025, o prejuízo consolidado da companhia chegou próximo a R$ 3 bilhões. Esse quadro é agravado pelas despesas financeiras, que no trimestre foram negativas em R$ 1,171 bilhão, em um contexto de juros elevados. O endividamento das famílias também limita o consumo, dificultando a recuperação das vendas.
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Recuperação extrajudicial e desafios financeiros
Em 2024, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial diante do desequilíbrio em sua estrutura de capital. Embora o acordo com os bancos tenha resolvido a situação, o impacto das altas despesas financeiras permanece, exigindo esforços contínuos para melhorar os resultados operacionais e financeiros.
Crescimento do digital contrasta com retração física
Enquanto o setor físico enfrenta cortes, o comércio eletrônico da Casas Bahia avança. No primeiro trimestre de 2026, a receita bruta consolidada cresceu 6,4% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando R$ 8,8 bilhões. A receita líquida somou R$ 7,416 bilhões, um aumento de 6,1%. O lucro bruto avançou 6,5%, para R$ 2,247 bilhões, e o Ebitda ajustado subiu 4,7%, chegando a R$ 597 milhões, com margem estável de 8,1%.
O comércio eletrônico foi o principal motor desse desempenho, com um crescimento de 14,6% no volume bruto de mercadorias, atingindo R$ 11,2 bilhões. O e-commerce acumula seis trimestres consecutivos de alta, enquanto a operação física encolhe. Ao final de 2025, o grupo contava com 1.042 lojas, contra 1.078 em 2023, considerando Casas Bahia e Ponto Frio, com uma redução de 26 unidades no último ano.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
Plano visa equilibrar canais e retomar resultados positivos
O movimento atual de fechamento de lojas é muito mais amplo do que os ajustes anteriores e busca reduzir a estrutura da companhia, melhorar o fluxo de caixa e alcançar resultados positivos novamente. A intenção é também equilibrar o desempenho entre os canais físico e digital, que apresentam trajetórias opostas.
Desafios financeiros no curto prazo
Apesar de o objetivo ser a redução de despesas, os custos iniciais com encerramento de lojas e demissões podem pesar no caixa da empresa a curto prazo. A Casas Bahia também alterou o calendário de divulgação de seus resultados do segundo trimestre, que foi adiado para o dia 14, com teleconferência marcada para o dia 17.
Nos próximos dias, a companhia deve detalhar seu plano de corte de gastos. A escala das medidas revela a pressão para ajustar uma estrutura que ainda registra crescimento no digital, mas que convive com prejuízos elevados e o peso das despesas financeiras.

