Reestruturação financeira traz resultados positivos
A Casas Bahia conseguiu uma redução significativa em seu prejuízo no quarto trimestre de 2025, diminuindo em 82,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O CEO da empresa, Renato Franklin, compartilhou essas informações durante uma entrevista ao CNN Money na quinta-feira (12). A perda líquida ajustada foi de R$ 79 milhões, um avanço notável considerando o contexto econômico desafiador.
Além disso, a receita líquida da companhia alcançou R$ 8,4 bilhões, apresentando um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. O Ebitda ajustado também se destacou, saltando para R$ 826 milhões, o que representa quase 30% a mais do que o registrado em 2024.
Franklin enfatizou que a empresa ganhou participação de mercado em segmentos como eletrodomésticos e televisores, demonstrando resiliência mesmo diante das adversidades econômicas. O volume bruto de mercadorias, também conhecido como GMV, totalizou R$ 13,1 bilhões no período.
“Atingimos ganhos de eficiência operacional, estabelecendo recordes em margem Ebitda, Ebitda absoluto e receita de vendas a cada trimestre”, destacou o executivo, reforçando a importância da reestruturação em curso.
Redução de dívidas e aumento de investimentos
Apesar do prejuízo registrado, a empresa não hesitou em aumentar seus investimentos no quarto trimestre, totalizando R$ 86 milhões, sendo mais de 70% direcionados a tecnologia e logística. Franklin justificou essa decisão, afirmando que as vendas apresentaram um crescimento significativo durante a transformação da companhia e que, em 31 de dezembro, houve uma forte redução das dívidas.
O balanço financeiro da empresa mostrou um prejuízo de R$ 1,5 bilhão, que inclui uma provisão não recorrente de R$ 1,4 bilhão, resultado de um teste de estresse em resposta a um cenário geopolítico volátil. Franklin informou que 77% das dívidas foram eliminadas ou convertidas em equity, o que representa um passo importante na recuperação financeira da rede varejista.
Diferencial competitivo no crediário
Um dos pontos fortes da Casas Bahia permanece em seu modelo de crediário. Em 2025, a empresa concedeu R$ 10 bilhões em crédito, estabelecendo um novo recorde. Franklin revelou que atualmente são aprovados R$ 900 milhões em crédito via crediário a cada mês, com alguns períodos superando R$ 1 bilhão.
A introdução do crediário digital também se destacou, expandindo a penetração das vendas pelo carnê no ambiente online. Antes, essa modalidade representava apenas 2% das vendas, e agora já alcança entre 8% e 9%, se aproximando dos 10%, permitindo que consumidores sem cartão de crédito realizem compras online.
Desafios do cenário macroeconômico
Contudo, o cenário de juros elevados tem trazido desafios consideráveis para a empresa. Franklin observou que cada ponto percentual na taxa Selic afeta aproximadamente R$ 150 milhões em lucro líquido anual. Além disso, a alta taxa de juros não apenas afeta a lucratividade, mas também compromete a capacidade de pagamento dos consumidores, influenciando as decisões de crédito da empresa.
O canal online da Casas Bahia cresceu mais de 20%, atendendo uma camada socioeconômica um pouco mais alta, enquanto as lojas físicas, que atendem em sua maioria a base da pirâmide, registraram um crescimento de 8,8% ao longo do ano, mas apenas 2% no quarto trimestre. Essa desaceleração foi impactada pela taxa de juros elevada e pelo menor poder de consumo da população brasileira.
A expectativa da Casas Bahia é que, com a possível redução da taxa de juros em 2026, a companhia consiga capturar um crescimento desproporcional nas vendas de suas mais de mil lojas físicas espalhadas pelo Brasil.

