Evento Marca o Início das Atividades Culturais Chinesas no Brasil
Na noite de terça-feira (7), o Concerto do Ano Cultural Brasil-China foi realizado em Brasília, dando início à programação cultural chinesa no Brasil para 2026. O evento, que ocorreu no Auditório Poupex, no coração do Plano Piloto, contou com a presença de autoridades de ambos os países, além de representantes do corpo diplomático e convidados especiais. A apresentação foi conduzida pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em colaboração com a Orquestra Sinfônica Nacional da China, em uma performance que simbolizou o espírito de intercâmbio cultural propugnado pela iniciativa.
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura (MinC), Cassius Antonio da Rosa, representou o governo brasileiro e destacou a importância estratégica desse evento. “Essa celebração é um símbolo vívido de uma parceria robusta, fortalecida pelos presidentes Lula e Xi Jinping, em meio ao marco de cinquenta anos das relações bilaterais entre nossos países”, afirmou. Durante sua fala, o secretário enfatizou que o Ano Cultural é um esforço conjunto para ampliar os horizontes da cooperação, com a cultura sendo um eixo fundamental dessa interação.
“Nosso objetivo é aumentar o conhecimento mútuo entre nossos povos, permitindo que a arte funcione como um verdadeiro idioma universal”, acrescentou. Cassius também destacou o papel da cultura como um motor de desenvolvimento econômico e social. “A cultura é uma força econômica significativa, geradora de emprego e inclusão social”, frisou.
O potencial da economia criativa também foi mencionado, representando uma fatia importante do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que supera os 3,5%. O Ano Cultural Brasil-China é visto como uma plataforma para expandir essa cooperação no setor criativo.
O evento também contou com a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e do secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto. O embaixador chinês enfatizou a relevância cultural na aproximação entre as nações. “A cultura constrói pontes e conecta corações”, expressou, afirmando que o concerto marca a primeira grande atividade do Ano Cultural e simboliza uma trajetória histórica de intercâmbio.
“A história das relações entre China e Brasil é também um relato de intercâmbio cultural. O aprendizado mútuo é a força propulsora do progresso da civilização”, concluiu Zhu. Ele também ressaltou as convergências entre os dois países e a importância da cooperação cultural em um mundo cada vez mais desafiador, defendendo o diálogo entre civilizações como um caminho para o desenvolvimento e um mundo mais justo.
O representante do Itamaraty, Laudemar, reforçou o papel central da cultura nas relações internacionais. “A cultura é um elemento essencial da cooperação internacional e uma ferramenta vital para aproximar sociedades e fortalecer a confiança entre países”, afirmou, ressaltando que o Ano Cultural Brasil-China vai além de uma simples vitrine artística, sendo um convite ao diálogo entre culturas e histórias.
Ao longo de 2026, a programação do Ano Cultural Brasil-China apresentará uma agenda diversificada nos dois países. Além das atividades programadas pela China no Brasil, o governo brasileiro também organizará uma série de eventos na China, a partir do final de abril, em cidades como Pequim e Xangai. A proposta é estabelecer uma via de mão dupla, ampliando o conhecimento mútuo entre os povos.
O concerto foi encerrado com uma apresentação musical que consolidou o início dessa agenda cultural promissora, que deverá se estender ao longo do ano de 2026.
Apresentação Sinfônica: Uma Celebração do Intercâmbio Cultural
A apresentação conjunta da Orquestra Sinfônica Nacional da China (CNSO) e da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro esteve no cerne do evento, simbolizando a colaboração no Ano Cultural Brasil-China 2026. O concerto uniu repertórios variados e tradições musicais distintas, demonstrando como a música pode servir como uma linguagem universal, capaz de aproximar culturas e fortalecer laços entre os países.
Com uma história que remonta a 1956, a Orquestra Sinfônica Nacional da China é reconhecida internacionalmente por sua função como embaixadora cultural, desempenhando um papel significativo no intercâmbio artístico global. Em 2024, a Camerata da CNSO realizou uma turnê por quatro cidades brasileiras, comemorando os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, criada em 1979, se destaca como uma das principais instituições sinfônicas do Brasil e tem sido uma referência no cenário cultural da capital federal. Ao longo dos anos, a orquestra ganhou notoriedade não apenas pela sua excelência artística, mas também por promover intercâmbios com solistas e regentes de renome internacional.
O programa do concerto incluiu obras de renomados compositores brasileiros e chineses, como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, e o “Concerto para Violino Os Amantes Borboleta”, de He Zhanhao e Chen Gang, além de peças de Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes e Zhao Jiping. Essa rica combinação de repertórios reafirmou a proposta de diálogo entre as tradições musicais, transformando melodias em um elo entre Brasil e China.

