Início da Conferência reúne líderes da advocacia baiana
A IX Conferência Estadual da Advocacia, maior evento do interior da Bahia dedicado ao universo jurídico, teve início na quarta-feira (29) no Centro de Convenções de Feira de Santana. Promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Bahia, a conferência se estende até quinta-feira (30), com uma agenda focada em inovação, inteligência artificial, prerrogativas da advocacia e os desafios atuais da profissão.
Entre os convidados, destacam-se a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que participou de forma telepresencial, e o ministro Cláudio Brandão, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que ministrou palestra sobre os efeitos da tecnologia no Direito.
Feira de Santana como polo jurídico estratégico
Para Raphael Pitombo, diretor da OAB Bahia, a escolha de Feira de Santana como sede da conferência reforça o papel central da cidade para a advocacia no estado. “Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia e abriga a maior subseção da OAB no interior, com mais de quatro mil advogados na região. É justo que uma cidade desse porte receba o maior evento jurídico fora da capital”, afirmou.
Ele ressaltou que a programação foi cuidadosamente elaborada para abordar diversas áreas do Direito e responder aos desafios que o exercício da advocacia enfrenta atualmente. “Temas contemporâneos como inteligência artificial, Direito Penal, Direito Civil, Direito Previdenciário e Direito do Trabalho estão em pauta, assim como debates essenciais sobre direitos humanos, igualdade racial e questões de gênero”, explicou.
Inteligência artificial exige equilíbrio entre inovação e ética
Durante a abertura, a presença da inteligência artificial no cotidiano dos advogados foi um dos pontos mais discutidos. Raphael Pitombo destacou que a advocacia já está inserida num ambiente digital, e a OAB tem o papel de orientar seus membros para o uso ético dessas tecnologias. “A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia. A OAB busca capacitar os profissionais para que façam uso responsável dessas ferramentas, sem perder de vista o compromisso ético”, afirmou.
Além disso, o diretor evidenciou que encontros como esse fortalecem a classe, especialmente no interior do estado, ampliando a troca de conhecimento e a defesa das prerrogativas profissionais. “Este evento é uma oportunidade para enfrentar desafios como a escassez de magistrados e servidores e para atualizar o conhecimento dos advogados”, completou.
Leia também: Conferência Nacional da Advocacia impulsiona economia de Salvador com 24 mil visitantes
Reconhecimento e protagonismo da advocacia do interior
Lorena Peixoto, diretora da OAB Feira de Santana, destacou o reconhecimento que a realização da conferência representa para a subseção local. “Este evento é fruto de um trabalho contínuo e demonstra que a OAB Bahia valoriza e olha para o interior, reconhecendo a importância da advocacia fora da capital”, disse.
Ela lembrou que a subseção de Feira de Santana conta com mais de 4.200 advogados, nove comarcas e uma base territorial que abrange mais de 22 municípios, posicionando a cidade como um centro significativo não apenas comercial, mas também jurídico.
Sobre o papel da tecnologia na advocacia, Lorena reforçou que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio, jamais substituindo a sensibilidade humana. “A tecnologia deve servir ao exercício profissional, mas quem individualiza e humaniza cada caso é o advogado”, ressaltou.
A diretora alertou ainda para os limites éticos no uso dessas ferramentas, especialmente em períodos eleitorais. “Temos um Código de Ética e normas que regulam a profissão. É fundamental debater os limites legais para evitar que o uso da inteligência artificial cause problemas ético-disciplinares”, destacou.
Ministro do TST aponta desafios e cuidados com inteligência artificial
O ministro Cláudio Brandão, do Tribunal Superior do Trabalho, destacou a importância de discutir os efeitos das tecnologias na atividade jurídica. “As inovações tecnológicas impactam todos os operadores do Direito — advocacia, magistratura, Ministério Público”, afirmou.
Em sua palestra, o ministro abordou tanto as oportunidades quanto os riscos do uso da inteligência artificial no Judiciário. Ele enfatizou a necessidade de reflexão sobre os impactos dessas ferramentas e os desafios que podem surgir na atuação dos profissionais.
Brandão também chamou atenção para o uso da inteligência artificial durante as eleições, ressaltando a preocupação com conteúdos que podem influenciar o pleito. “É fundamental que a Justiça Eleitoral tenha instrumentos para punir o uso ilícito dessas ferramentas e preservar a liberdade do eleitor”, explicou.
Quanto ao futuro da profissão, o ministro defendeu que a inteligência artificial deve ser um recurso de apoio, sem substituir a dimensão humana da atividade jurídica. “A IA não reproduz sentimentos, sensibilidade e valores essenciais da experiência humana. O advogado continua responsável pela sua atuação profissional”, afirmou.
Ele comparou a inteligência artificial a outras ferramentas tecnológicas que já integraram o trabalho jurídico, como a caneta, máquina de escrever e computador. “O advogado não deve confiar que a IA resolverá todos os seus problemas, mas sim usá-la como suporte”, concluiu.
Programação amplia debate sobre Direito e tecnologia
Durante os dois dias de conferência, especialistas apresentam temas como inteligência artificial, exercício da advocacia, Direito do Trabalho, Direito Previdenciário, reforma tributária, advocacia criminal, eleições e defesa das prerrogativas profissionais. A IX Conferência Estadual da Advocacia da Bahia consolida Feira de Santana como um dos principais polos jurídicos do estado, enfatizando a conexão entre tecnologia, ética e inovação no Direito.

