Um Novo Olhar para o Seguro Residencial
No último ano, o seguro residencial na Bahia teve um crescimento impressionante de 18,28%, conforme dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O volume financeiro do setor alcançou R$ 159,1 milhões, refletindo uma transformação significativa na forma como esse produto é percebido e contratado pelas famílias baianas.
Esse avanço é fruto de uma mudança no perfil do produto e na maneira como os consumidores enxergam o risco associado a seus lares. Tradicionalmente visto como uma proteção contra incêndios e roubos, o seguro residencial agora oferece uma gama mais ampla de coberturas, incluindo assistência 24 horas com serviços de eletricista, encanador e chaveiro.
“O seguro residencial agora é considerado um aliado na manutenção do imóvel, utilizado no dia a dia, e não apenas uma proteção contra grandes perdas”, destacou Gabriela Nóbrega, analista de desenvolvimento de negócios da Central Sicredi Nordeste. Segundo informações do Sicredi, os prêmios pagos em seguros residenciais na Bahia também aumentaram 1,59% entre 2024 e 2025, evidenciando uma tendência de valorização do produto.
O Custo-Benefício que Atrai Consumidores
Outro aspecto que contribui para o crescimento do seguro residencial é o seu custo relativamente mais baixo em comparação a outros tipos de seguro. Enquanto o seguro de automóvel pode variar entre 3% e 6% do valor do bem, o seguro residencial tem uma média entre 0,1% a 0,3% do valor do imóvel, dependendo das características e do nível de cobertura. Essa relação de custo-benefício torna o produto bastante acessível, especialmente em tempos de restrições orçamentárias.
“Essa relação de custo e valor tem facilitado a escolha dos consumidores, especialmente em períodos em que o orçamento está apertado”, afirma Gabriela Nóbrega, reforçando a ideia de que o seguro residencial se tornou uma opção viável para muitas famílias.
Aumento da Percepção de Risco e Eventos Climáticos
Um fator igualmente relevante que tem impulsionado a busca por seguros residenciais é a crescente percepção de risco associada a eventos climáticos extremos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram um aumento nas indenizações por danos elétricos e vendavais nos últimos anos, o que fortaleceu a procura por proteção patrimonial em diversas regiões, incluindo o Nordeste.
“Os eventos climáticos deixaram de ser uma exceção e passaram a fazer parte do planejamento familiar. Observamos que muitos consumidores tomam a decisão de contratar seguros após testemunharem imprevistos em sua vizinhança”, explica Gabriela Nóbrega, reforçando a ligação entre a conscientização sobre riscos e a adesão a seguros.
A Digitalização como Impulsora do Setor
Além disso, a digitalização tem sido um fator crucial para a adesão crescente ao seguro residencial. Com plataformas e aplicativos que facilitam o processo de contratação e eliminam etapas burocráticas, pequenos proprietários, tanto urbanos quanto rurais, têm conseguido acessar o seguro de maneira mais rápida e prática.
“A tecnologia reduziu barreiras de entrada, tornando o produto mais acessível a públicos que anteriormente não consideravam a contratação do seguro residencial”, destaca Gabriela Nóbrega. Esse avanço digital é um reflexo das novas demandas dos consumidores, que buscam soluções práticas e eficazes.
Expectativas para o Futuro do Mercado de Seguros
A tendência é que o crescimento do seguro residencial continue, acompanhando a evolução do produto e a demanda por proteção patrimonial. O setor tem se adaptado para incorporar novos serviços e diversificar sua base de clientes. Gabriela Nóbrega comenta: “Estamos vendo uma mudança no enfoque, com as famílias valorizando mais a proteção do patrimônio que construíram ao longo do tempo. Esperamos uma expansão com soluções mais completas e acessíveis para todos.”

