O futuro do sorgo: uma alternativa promissora
No cenário agrícola da Bahia, a Sementes Oilema, uma das principais sementeiras da região, está se preparando para uma significativa expansão nas vendas de sorgo. Com a colheita da safra de soja em andamento, as perspectivas já se voltam para o próximo ciclo, com testes de qualidade e vendas iniciando para a safra 2026/2027. Celito Missio, CEO da empresa, compartilhou suas expectativas para a próxima temporada, que, segundo ele, deverá se desenvolver de maneira semelhante à safra atual.
Apesar da expectativa de queda na taxa Selic, o crédito rural continua a ser um desafio, o que pode afetar as decisões dos agricultores. Missio destaca que a semente, representando apenas 6% a 7% do custo total de produção, ainda dependerá da disponibilidade de crédito para aquisição. “A dificuldade que a gente vê é a disponibilidade de crédito do agricultor para comprar. Como a semente é uma parcela pequena do custo total, é um insumo essencial, mas com a atual situação, muitos produtores podem enfrentar barreiras para obtê-la”, comenta.
A avaliação sobre a área plantada não indica grandes mudanças. Este ano, o Brasil cultivou cerca de 48,6 milhões de hectares, e a expectativa é de que essa área se mantenha estável.
Apostando no sorgo
Atualmente, a Oilema foca na venda de sementes de soja e sorgo, e o CEO revela que, com a demanda por soja enfrentando limitações, o sorgo desponta como uma alternativa estratégica. Ele projeta um crescimento de 70% nas vendas desse grão na próxima temporada, seguindo um padrão observado nos últimos anos. “Estamos vendo uma grande virada na cultura do sorgo, principalmente por conta do mercado. Ele é cada vez mais absorvido pelas indústrias de etanol, apresentando uma produção equivalente à do milho”, explica Missio.
O aumento da produção de sorgo é impulsionado não apenas pela demanda interna, mas também pela exportação. Navios já estão partindo para a China, e a utilização do sorgo na alimentação animal tem crescido. O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que, para a safra de 2025/2026, o Brasil deverá produzir cerca de 6,6 milhões de toneladas de sorgo. Isso representa um incremento de 9,7% em relação à safra anterior e um aumento de 11,7% na área plantada.
Na visão de Anderson Galvão, diretor da Céleres Consultoria, essa transição para o sorgo pode ser benéfica para os produtores de soja no oeste baiano, uma vez que a região possui um ciclo de chuvas mais curto, tornando o cultivo de milho para a segunda safra inviável. Ele ressalta que, em tempos onde a soja se torna cada vez mais essencial, a implementação de uma segunda safra se torna imprescindível.
Galvão apresenta uma comparação com a produção em Barreiras (BA). Considerando uma segunda safra de sorgo com produtividade de 120 sacas por hectare, onde 80% da área é dedicada à soja, o agricultor obteria uma margem equivalente a quatro sacas de soja por hectare. Entretanto, ele enfatiza a importância do uso de tecnologia adequada para maximizar a produção. “Um produtor utilizando tecnologia básica pode colher entre 50 e 55 sacas, mas para garantir uma margem significativa, a produção precisa ser elevada a 120 sacas por hectare”, alerta.
Além disso, Galvão compara o atual cenário do sorgo com o que o milho da safrinha enfrentava em anos anteriores. “Hoje, o sorgo encontra-se em um ponto similar ao que o milho estava em 2010, em termos de mercado e tecnologia. Essa é uma oportunidade que não deve ser negligenciada”, conclui.

