A Decisão Crítica de João Campos
João Campos, do PSB, está se preparando para ser candidato ao governo de Pernambuco, mesmo diante de oscilações nas pesquisas que mostram uma vantagem reduzida em relação a seus adversários. “Ele não tem como recuar”, comentou um dos aliados do prefeito em um papo recente com a coluna.
Nos bastidores, já se considera a desincompatibilização em abril como a opção mais viável. A partir desse ponto, a discussão não se limita mais a um contexto eleitoral imediato, mas se torna uma análise estratégica a longo prazo. O foco não é apenas vencer Raquel Lyra (PSD) nas eleições deste ano, mas também preservar a força política de um grupo que atualmente governa a capital e depende de uma rede de aliados em todo o estado, visando uma retomada eficaz em 2030, mesmo que o resultado de 2026 não seja favorável.
A Tensão nas Pesquisas
Embora os números ainda posicionem João Campos na frente, a diferença, que antes beirava os 40 pontos percentuais, agora gira em torno de 15 a 20 pontos, segundo os últimos levantamentos. Essa queda já acende um sinal de alerta na sua equipe. A atual governadora, por outro lado, tem aproveitado sua posição para entregar obras e fortalecer sua imagem institucional, o que a coloca em ascensão.
A situação é claramente preocupante: enquanto Campos perde alguns pontos, o desempenho positivo de Raquel cresce. Apesar disso, a análise predominante dentro do PSB é que a tendência atual não necessariamente define o futuro, e a ordem é seguir em frente com a estratégia.
O Dilema da Desincompatibilização
A pressão para deixar a prefeitura complica a decisão de Campos, que teria que renunciar ao seu mandato, renunciando assim à visibilidade e estrutura administrativa que possui. O desafio é ainda maior ao enfrentar uma governadora já estabelecida na competição. Contudo, a renúncia está se tornando um tema menos carregado de risco pessoal e mais visto como um investimento político vital para o PSB.
Para o partido, ficar fora da disputa pode trazer consequências graves. Uma eleição sem a presença de Campos tende a desmobilizar chapas proporcionais, enfraquecer lideranças regionais e diminuir o poder de negociação do partido nos próximos anos. Isso, por sua vez, limitará as opções políticas de João no futuro. Um exemplo relevante vem da Bahia.
A Lição da Bahia: O Caso de ACM Neto
A história de ACM Neto, do União, serve como um alerta. Em 2018, o então prefeito de Salvador, que era líder nas pesquisas, decidiu não disputar o governo da Bahia. Ele acreditava que enfrentaria a máquina estadual e optou por finalizar seu mandato até 2020, preparando-se para a candidatura em 2022.
A decisão parecia lógica na época: ele cumpriu sua gestão, elegeu um sucessor, e saiu fortalecido, levando uma popularidade de até 67% nas intenções de voto. Entretanto, sua base política se fragmentou devido à ausência na candidatura de 2018. Isso resultou em perdas eleitorais para alguns aliados e ressentimentos entre outros, o que dificultou sua posição em 2022, especialmente com Lula (PT) entrando na disputa em apoio ao PT local.
Reflexões para o Futuro de Campos
O resultado para ACM foi uma derrota no segundo turno, um desfecho que impulsionou a reflexão dentro do PSB de Pernambuco. A percepção entre os aliados é clara: Campos atingiu um “ponto de não retorno” em suas promessas e articulações. Se optar pela desistência, poderá se desgastar e comprometer seu futuro político. Assim, ele se vê obrigado a correr o risco da candidatura.
A Disputa Acirrada à Vista
A política estadual se constrói em redes, e a ausência de Campos poderia custar caro em termos de fidelidade dos aliados e capacidade de mobilização. A disputa deste ano promete ser acirrada, com riscos para ambos os lados. Raquel Lyra tem a vantagem do cargo, enquanto Campos aposta na força política de seu grupo e na memória positiva da capital. O cenário mostra que essa campanha será dura, equilibrada e cheia de incertezas.

