Perspectivas de Crescimento no Primeiro Semestre
O ano de 2026 promete ser um período de dualidade para a economia brasileira, com um início promissor, mas repleto de incertezas à medida que o ano avança. Na primeira metade do ano, a expectativa é de um aquecimento econômico impulsionado por diversas mudanças. A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000,00 mensais deverá aumentar a renda disponível de mais de 15 milhões de pessoas, injetando cerca de R$ 28 bilhões na economia. Esse incremento no poder de compra deve favorecer o consumo em setores fundamentais como comércio, transportes, alimentação e serviços, o que pode resultar em um aumento estimado de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o início do ciclo de queda na taxa de juros, previsto para março pelo Banco Central, poderá torná-lo mais acessível, estimulando investimentos e ampliando a atividade econômica.
Outra variável a ser considerada é a Copa do Mundo de 2026, que durará dois meses e promete gerar picos de consumo em setores como turismo, varejo e entretenimento. Esses fatores combinados podem criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico na primeira metade de 2026.
Desafios Políticos e Incertezas no Segundo Semestre
Entretanto, a segunda metade do ano poderá trazer desafios significativos. O calendário eleitoral tende a dominar as atenções e a impactar a economia. Em períodos eleitorais, é comum ver um aumento nos gastos públicos, o que pode beneficiar segmentos relacionados à publicidade, transporte e serviços. Contudo, historicamente, o Brasil enfrenta instabilidades e incertezas nos mercados durante esses períodos, levando a uma volatilidade maior.
Conforme as projeções sobre as políticas econômicas dos candidatos começam a ser avaliadas, espera-se um aumento na incerteza econômica, com possíveis repercussões negativas sobre a inflação, juros e questões fiscais. Isso pode resultar em uma retração dos investimentos, uma vez que muitos agentes econômicos optarão por adotar uma postura mais defensiva até que o novo panorama político se torne mais claro.
Assim, a expectativa é que as incertezas do segundo semestre coloquem um freio no crescimento econômico observado anteriormente, já que diversos setores se prepararão para reações mais cautelosas diante dos resultados eleitorais.
Um Ano de Duas Dinâmicas
Em suma, 2026 deve se apresentar como um ano de crescimento, mas também de desafios distintos ao longo de seus meses. Na primeira metade, a combinação do aumento da renda disponível, a queda nas taxas de juros, o estímulo ao consumo e a realização de eventos de grande porte deverão sustentar um ambiente econômico mais dinâmico. Já na segunda metade, os efeitos do calendário eleitoral trarão maior volatilidade e insegurança nos investimentos, com revisões frequentes nas expectativas econômicas.
Portanto, enquanto é fundamental aproveitar as oportunidades do primeiro semestre, é igualmente importante estar atento aos riscos que podem surgir nos meses que antecedem a eleição presidencial, que historicamente alteram a confiança dos investidores e o comportamento do mercado.

