A Importância de Compromissos a Longo Prazo
Nos últimos anos, o Brasil tem avançado em termos de escolarização, conforme apontam dados recentes do Inep e do IBGE. Contudo, o cenário revela um paradoxo: mesmo com uma taxa de alfabetização de 93% entre a população de 15 anos ou mais em 2022, ainda existem cerca de 11,4 milhões de brasileiros analfabetos. Em 2024, essa cifra foi reduzida para 9,1 milhões, representando 5,3% da população adulta. Embora tenhamos progredido, as estatísticas indicam que o país ainda enfrenta significativos desafios estruturais.
No contexto infantil, o Indicador Criança Alfabetizada de 2024 revelou que apenas 59,2% dos alunos do 2º ano estavam alfabetizados, o que significa que 40,8% deles não conseguiram consolidar essa etapa crucial de seu desenvolvimento educacional. Esse cenário evidencia que, apesar dos avanços, as bases de aprendizagem necessárias para uma sociedade democrática ainda não estão garantidas de forma equitativa.
Compromissos entre Setores para Superar Desafios
A superação desses desafios passa por um aspecto que o Brasil ainda não tem abordado de maneira efetiva: a necessidade de compromissos de longo prazo que envolvam o poder público, a sociedade civil e o setor privado. Embora projetos de curto prazo possam surtir efeito imediato, raramente são suficientes para desenvolver práticas pedagógicas consistentes ou para garantir uma formação de qualidade para os professores, resultando em impactos duradouros. Vale lembrar que a aprendizagem é um processo que não se dá em ciclos curtos, e a política educacional não deveria seguir essa mesma lógica.
Exemplos de municípios que investem em continuidade mostram que a colaboração estável entre empresas, redes de ensino e organizações parceiras gera resultados positivos e sustentáveis. Paragominas, no Pará, é um exemplo notável. O programa Território do Saber, fundado pela mineradora Hydro e realizado pela Evoluir Educação, em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação ao longo de cinco anos, promoveu a alfabetização de jovens, adultos e idosos, além de uma formação intensiva para professores e acompanhamento pedagógico. Esse esforço contribuiu para solidificar práticas educacionais na rede municipal e ampliou as oportunidades de aprendizado para toda a comunidade.
Iniciativas que Inspiram: Casos de Sucesso
Outro exemplo significativo é o projeto Brincando com Pipas, em Guarulhos, que recebe apoio da concessionária EDP desde 2015. Esse programa tem demonstrado como a continuidade gera impactos sucessivos ao longo do tempo. Com o envolvimento de escolas, professores e famílias, o projeto aprimora o conhecimento sobre temas como segurança elétrica e cidadania socioambiental, contribuindo também para a redução de incidentes na rede elétrica.
A John Deere, fabricante de máquinas agrícolas, ilustra ainda mais essa questão ao manter projetos educacionais em várias cidades por anos. Em 2025, a empresa implementou avaliações periódicas de leitura no projeto Viva o Livro!, que visa enfrentar as defasagens de alfabetização que se agravaram durante a pandemia. Essa estratégia facilita um acompanhamento mais preciso e eficaz do aprendizado dos alunos do 4º e 5º ano.
Construindo o Futuro da Educação Superior no Brasil
Esses exemplos destacam que o impacto na educação é uma construção coletiva, sustentada por três pilares fundamentais. O setor público traz escala, legitimidade e uma continuidade institucional necessária. A sociedade civil oferece metodologias inovadoras e capacidade de implementação, sempre alinhada às necessidades das redes de ensino. Por sua vez, o setor privado pode garantir previsibilidade financeira, alinhamento às demandas locais e uma cultura de monitoramento constante. Quando esses três setores se unem em torno de objetivos comuns, metas e responsabilidades, a transformação dos indicadores educacionais se torna possível, impactando diretamente a vida das pessoas.
Atualmente, o Brasil dispõe de uma gama cada vez maior de dados, tecnologias e instrumentos de avaliação, mais do que em qualquer outro período recente. No entanto, ainda falta um elemento crucial que nenhum número pode fornecer: a disposição para planejar a educação com a seriedade que ela demanda. Estabelecer protocolos plurianuais, acordos estáveis e metas acordadas entre empresas, secretarias de educação e organizações executoras precisa ser a norma. Enquanto o ciclo fiscal pode permanecer anual, o compromisso com a educação e o impacto positivo que ela gera deve ser contínuo.

