Contexto Atual das Eleições na Bahia
O segundo mês do ano eleitoral de 2026 já se passou, e o panorama na política baiana continua praticamente inalterado em comparação ao que foi observado no final de 2025. As expectativas quanto a novas alianças ou desarticulações não se concretizaram, embora alguns políticos tenham mostrado alterações sutis em seus comportamentos. Um exemplo disso é a saída do senador Ângelo Coronel, antigo membro do PSD, da base governista. Enquanto isso, no cenário nacional, as articulações de Gilberto Kassab, líder do PSD, têm como objetivo lançar um candidato à presidência da República, buscando estabelecer uma terceira via que contrabalançaria os extremos políticos representados por Lula e Bolsonaro, mas, até o momento, sem grandes resultados.
Surpreendentemente, no mês passado, consolidou-se a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL, que, segundo pesquisas, tem se destacado como forte concorrente de Lula, o que pode alterar o plano de jogo de ACM Neto.
Chapas e Partidos na Disputa
Focando no cenário baiano, a configuração partidária se mantém a mesma desde o final do ano passado. Vamos analisar as chapas e as movimentações dos partidos:
- Chapa Governista: A chapa é composta por Jerônimo Rodrigues (governador), Jaques Wagner e Rui Costa, ambos candidatos ao Senado. Existe uma dúvida sobre quem será o candidato ao governo: Jerônimo ou Rui. Entretanto, essa indefinição não altera a essência da chapa.
- Ângelo Coronel: O senador Coronel decidiu deixar a base governista e continua firme em sua candidatura ao Senado. Ao perceber que sua situação estava se tornando delicada dentro do PT, ele optou por se afastar. Coronel ainda não se filiou a um novo partido e mantém conversas com ACM Neto, podendo eventualmente integrar sua chapa.
- Otto Alencar: O senador do PSD continua a apoiar a chapa de Jerônimo e Lula. A instabilidade na definição do candidato a presidente do seu partido não parece afetar sua posição.
- MDB: O partido deseja manter Geraldo Jr. na vice-governadoria. Geraldo, que agora se apresenta como Geraldinho, é visto como um aliado próximo do governador. Os líderes do MDB, como Geddel Vieira Lima, têm se manifestado sobre a necessidade de maior espaço no governo.
- Jaques Wagner: Durante janeiro, as declarações de Wagner sobre a permanência de Geraldinho foram classificadas como “fake news”. O governador Jerônimo, ao voltar de uma viagem ao exterior, destacou que a decisão sobre a chapa é de sua responsabilidade, não apenas de Wagner.
- PCdoB: O partido tem como meta eleger três deputados federais e cinco estaduais, já apresentando nomes. O dirigente Geraldo Galindo solicita uma reunião do Conselho Político, presidido pelo governador, para discutir a composição da chapa majoritária.
- PSB: Sob a liderança de Lídice da Mata, o PSB pretende lançar candidatos para a Câmara e a ALBA, apoiando a chapa governista. Contudo, Wagner tentou desestabilizar Lídice ao sugerir sua posição como suplente de senadora, o que gerou descontentamento.
- Avante: O partido de Ronaldo Carletto, que até janeiro não havia se manifestado, recentemente se reuniu com Rui Costa e pode estar buscando a vice-governadoria.
- Partidos Menores: Partidos como PTB, Podemos e Solidariedade continuam aliados à chapa governista, sem buscar discussões significativas.
Oposição e Desafios Futuros
No campo da oposição, ACM Neto (União) é o nome forte para a disputa gubernamental, mas a definição de sua chapa, incluindo senadores e um vice, ainda está indefinida. Neto aguarda desenvolver acontecimentos no cenário nacional, pois uma candidatura presidencial que não alinhe com o PT ou Bolsonaro é fundamental para ele. A movimentação de Kassab, que trouxe Ronaldo Caiado para o PSD, é vista como um passo importante para sua candidatura ao governo.
A ascensão de Flávio Bolsonaro no cenário nacional também reforça a candidatura de João Roma ao Senado, que poderá se aliar a Neto na chapa.
Quanto a Ângelo Coronel, ele decidirá sua nova filiação durante a janela partidária, que inicia em 6 de março, e mantém conversas com o PL, embora a situação ainda permaneça indefinida.
O Republicanos busca uma das vagas ao Senado, considerando nomes como Marcelo Nilo e Márcio Marinho, enquanto o PP apresenta divisões internas, com partes apoiando Neto e outras Jerônimo.
O atual presidente do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur, será o pré-candidato ao governo, com Meire Reis como vice, enquanto a Rede deve indicar um candidato para o Senado.
Estratégias e Perspectivas
A disputa entre os grupos PT e União mostra, até agora, pequenas variações. A chapa governista se concentra em destacar o apoio dos prefeitos e as obras da gestão, enquanto ACM Neto deve focar nas fragilidades da gestão Jerônimo e no desenvolvimento de sua base eleitoral. O papel de Lula nas eleições será crucial, assim como a segurança pública, que se tornou uma questão central no debate político baiano.
Rumores sobre a possível contratação de João Santana como marqueteiro de ACM Neto ainda não foram confirmados, mas refletem a importância da estratégia de comunicação nessa corrida eleitoral.

