Capacitação em Epidemiologia para Enfrentar Desafios de Saúde
No dia 17 de outubro, teve início em Salvador, na Bahia, uma nova turma do curso de Especialização em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde, conhecido como EpiSUS Intermediário – Turma Nordeste 2026. Este projeto é parte de uma estratégia robusta para fortalecer a atuação do SUS diante de surtos, epidemias e outras emergências em saúde pública.
A formação se destina a preparar epidemiologistas de campo, e o EpiSUS se consolidou, ao longo de mais de 25 anos, como uma das principais iniciativas para o fortalecimento da vigilância em saúde no Brasil. A proposta é capacitar profissionais que irão atuar diretamente nas comunidades, contribuindo para a saúde pública.
O EpiSUS Intermediário Nordeste surge da colaboração entre a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), a Fiocruz Bahia e a Fiocruz Brasília, com o apoio do Ministério da Saúde. A especialização não apenas visa descentralizar a formação profissional, mas também aumentar a capacidade de resposta em cenários epidemiológicos complexos, como os que o Brasil enfrenta atualmente.
Durante a abertura do curso, Maria Isabella Haslett, coordenadora-geral do EPISUS no Ministério da Saúde, destacou a importância do modelo de ensino adotado, que é inspirado no Field Epidemiology Training Program (FETP). Esse modelo prioriza a aprendizagem prática, essencial para a formação de profissionais mais preparados.
“O EpiSUS adota um enfoque prático, permitindo que os profissionais aprendam diretamente nos serviços de saúde. O objetivo é desenvolver habilidades para investigar, analisar e responder rapidamente a eventos de saúde pública, sempre fundamentados em evidências”, afirmou Maria Isabella.
A nova turma do EpiSUS Intermediário Nordeste é composta por 53 profissionais de saúde, dos quais 34 atuam na Bahia, e inclui participantes de estados como Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão. Além disso, a turma conta com a participação de profissionais do Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe, o que fortalece a cooperação técnica entre países de língua portuguesa em ações de preparação e resposta a emergências sanitárias.
Isaulina Barreto, Diretora de Cuidados de Saúde de São Tomé e Príncipe, enfatizou a relevância dessa formação para aprimorar a capacidade de resposta a emergências em saúde pública em seu país. “Investir na formação em epidemiologia de campo é crucial para melhorar a resposta aos desafios sanitários. A inclusão de nossos profissionais é um passo estratégico para a qualificação individual e para o fortalecimento do sistema de saúde como um todo”, destacou.
Valdeyer Galvão, diretor da Fiocruz Bahia, ressaltou o diferencial desta especialização, que combina teoria e prática, abordando problemas reais enfrentados pelos serviços de saúde. “O objetivo é utilizar metodologias ativas e análise de dados para criar soluções aplicáveis nas comunidades, reforçando a vigilância local e a capacidade de resposta”, explicou Galvão.
A formação foca no desenvolvimento do raciocínio epidemiológico aplicado, além de ofertar ferramentas práticas para o trabalho em campo e aumentar a participação dos profissionais em ações de vigilância, preparação e resposta a eventos de saúde pública relevantes.
Com o lançamento dessa nova turma no Nordeste, espera-se ampliar significativamente a rede de epidemiologistas de campo no país e fortalecer a conexão entre ciência e serviços, contribuindo para respostas mais eficazes aos desafios sanitários contemporâneos.

