Debates sobre Desigualdades em Saúde
Na última sexta-feira, 20 de outubro, a Bahia foi palco do encerramento da primeira semana de atividades presenciais do EpiSUS Intermediário Nordeste, um programa destinado à capacitação de profissionais na vigilância e resposta a emergências em saúde pública. O último dia do evento contou com a presença de especialistas que discutiram as desigualdades que permeiam o sistema de saúde, os determinantes sociais e as estratégias para a gestão de riscos. A importância do fortalecimento das políticas públicas e da preparação dos sistemas de saúde, diante de cenários cada vez mais desafiadores, foi um dos pontos centrais abordados durante as palestras.
Uma das destaques da programação foi a intervenção da professora e pesquisadora Marilda de Souza Gonçalves, da Fiocruz Bahia. Em sua fala, Marilda enfatizou a significativa proporção de pessoas negras no Brasil, principalmente na Bahia, refletindo os efeitos da diáspora africana. Ela também apresentou dados sobre a morbimortalidade dessa população, alertando para os determinantes sociais que impactam na saúde e os riscos elevados de adoecimento e mortes prematuras. Além disso, a pesquisadora sublinhou a necessidade de continuidade e fortalecimento de políticas públicas que visem a redução das desigualdades sociais, a prevenção de doenças e a promoção da saúde e qualidade de vida para todos.
Gestão de Emergências em Saúde Pública
Na sequência, Otto Henrique Nienov, representante do CIEVS Nacional/Ministério da Saúde, conduziu uma atividade teórico-prática com foco na “Gestão de Emergências em Saúde Pública: Análise de Cenários e Riscos no Território”. Durante essa sessão, foram abordados os princípios do Regulamento Sanitário Internacional (RSI, 2005), com ênfase no conceito de Emergência em Saúde Pública.
O encontro também destacou a crescente complexidade, frequência e magnitude das emergências de saúde nas últimas décadas. Fatores como mudanças climáticas, a degradação ambiental, desastres naturais e as fragilidades nos sistemas de saúde contribuem para esse cenário alarmante. Nesse sentido, o papel da vigilância em saúde e a preparação dos sistemas para respostas rápidas e eficazes foram ressaltados, levando em conta as desigualdades sociais e sanitárias que potencializam os impactos dessas emergências.
Otto Nienov afirmou que a realização do EpiSUS Intermediário Nordeste na Bahia é crucial para fortalecer a capacidade de resposta na região, além de facilitar a integração entre os profissionais de saúde. “Essa agenda estratégica é vital para aprimorar nossas capacidades de vigilância e resposta a emergências em saúde pública. É essencial que os profissionais sejam qualificados para que estejam prontos para atuar em situações de emergência”, declarou.
Atividades e Futuro do EpiSUS
Na parte da tarde, os participantes do EpiSUS se dividiram em rodas de conversa para debater os desafios enfrentados e elaborar atividades voltadas para a avaliação de riscos em saúde pública. O curso EpiSUS Intermediário Nordeste 2026 terá uma continuidade em um formato modular e semipresencial, com duração prevista de nove meses. O próximo módulo presencial está agendado para os dias 20 a 24 de julho de 2026, como parte das atividades do Módulo 4.

