Desafios e Oportunidades para o PT em São Paulo
A candidatura de Flávio ao Planalto trouxe à tona uma série de reavaliações por parte do Partido dos Trabalhadores (PT) em relação às próximas eleições em São Paulo. O cenário atual é considerado desafiador, especialmente pela possibilidade de enfrentamento do governador Tarcísio, que obteve 55,27% dos votos em 2022, contra 44,73% de Fernando Haddad. O principal objetivo do PT é manter uma votação robusta, similar ao desempenho de 2022, uma vez que a vitória apertada de Lula nas eleições anteriores está atrelada à sua performance no estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil.
Para evitar que Tarcísio alcance uma votação ainda mais expressiva, próxima a 60%, aliados de Lula apontam que é crucial uma estratégia bem delineada. O time de Lula analisa cenários em que tanto Haddad quanto Geraldo Alckmin se destacam como potenciais candidatos para enfrentar o atual governador. No entanto, existem desafios logísticos que podem dificultar a viabilização dessas candidaturas.
Perspectivas e Decisões Internas no PT
Até o momento, Haddad tem sinalizado que não tem interesse em concorrer em 2026, após ter enfrentado três derrotas em momentos complicados para o PT. Ele prefere focar na contribuição ao programa de governo de Lula, e seu nome é cogitado para uma posição no futuro governo, como a chefia da Casa Civil. Lula, por sua vez, afirmou que Haddad tem total liberdade sobre suas decisões, reforçando a importância de respeitar a trajetória e biografia do ex-prefeito.
Por outro lado, Alckmin enfrenta a necessidade de deixar sua posição como vice para poder concorrer. Essa possível mudança gera incertezas em relação ao apoio que ele receberia, especialmente das legendas do centrão. Lula e o presidente do PT, Edinho Silva, têm afirmado que Alckmin poderá escolher seu destino nas eleições, seja como vice ou em outra função.
Divisões e Alianças no PT
Nos bastidores do PT, há uma diversidade de opiniões quanto à candidatura própria para o governo paulista. Uma ala do partido defende que o PT deve apresentar um nome competitivo para a corrida ao Bandeirantes, sustentando que o candidato ao governo local terá um papel fundamental na campanha presidencial, enquanto outra visão considera Alckmin como o mais forte rival a Tarcísio, com maior capacidade de atração de votos, inclusive entre eleitores do bolsonarismo.
Essa visão de Alckmin como um candidato viável se reforça pelo seu relacionamento próximo com prefeitos do interior paulista e sua experiência em cargos na Vice-Presidência e no Ministério da Indústria e Comércio. O que não se pode esquecer, no entanto, é que a decisão de Haddad de optar por uma candidatura ao Senado também faz parte dessa lógica, já que seria uma campanha menos desgastante e pode facilitar sua aceitação.
A Ascensão de Simone Tebet
Outro nome que ganha destaque nas discussões é o de Simone Tebet. A ministra é cogitada tanto para uma vaga no Senado quanto para a vice-governadoria. Sua inclusão na chapa poderia atrair eleitores que historicamente não têm votado no PT. Recentemente, Tebet mostrou-se receptiva à ideia de mudar seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, após receber apoio em um jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas.
Embora ainda não tenha se pronunciado oficialmente, a ministra já deixou claro para seus aliados que estará ao lado de Lula em 2026 e está disposta a enfrentar o desafio que lhe for proposto. Petistas próximos a Lula afirmam que Tebet está empolgada com a possibilidade de se candidatar por São Paulo, tendo potencial para ser uma forte candidata ao Senado ou até mesmo vice, caso Alckmin decida por outra posição.

