Diálogo para fortalecer o turismo religioso em Salvador
A Pastoral Arquidiocesana do Turismo (Pastur), junto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), promoveu no último sábado, 22 de agosto, o Fórum de Turismo Religioso de Salvador, intitulado “Capital da Fé: Lei, Território, Patrimônio e Experiências de Fé”. O evento ocorreu na sede do Sebrae, na Costa Azul, e contou com a participação de representantes da Igreja, do poder público, do setor privado e da sociedade civil. O foco principal foi discutir a aplicação da Lei Municipal nº 9.954/2026 e fortalecer o turismo religioso na cidade.
Entre os presentes estavam Hosana Santos, coordenadora arquidiocesana da Pastur, e Hirlene Pereira, gestora de projetos do Sebrae, que acompanharam toda a programação e as discussões do fórum.
Lei Municipal e os roteiros de fé em Salvador
O encontro teve como objetivo apresentar a nova legislação municipal, refletir sobre sua implementação como política pública e reforçar os roteiros de fé como experiências que unem espiritualidade, patrimônio, cultura, acolhimento e desenvolvimento territorial. Na abertura, o vigário-geral da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, cônego Edson Menezes da Silva, ressaltou a importância do evento para a cidade. “É fundamental este fórum, pois todos reconhecemos a riqueza patrimonial, cultural e religiosa que temos. Espero que seja um dia muito produtivo”, declarou.
Mariana Baudson, chefe de gabinete do vereador Omar Antônio Gordilho de Brito, autor da lei, explicou o processo de criação da legislação. Segundo ela, a lei surgiu de uma demanda concreta da Pastur e do Sebrae, em diálogo com o poder público. “O poder público não criou algo artificialmente. Esse roteiro já existia como iniciativa da Pastur e do Sebrae, e nós apenas formalizamos e institucionalizamos no calendário do município”, afirmou.
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Construção dos roteiros e perspectivas para o turismo religioso
Mariana destacou que a legislação valoriza características únicas de Salvador, marcada por sua história, espiritualidade, devoção, patrimônio e cultura, sendo a Sé Primacial da Igreja no Brasil. A lei institui oficialmente o Circuito de Turismo Religioso – Roteiros de Fé, ampliando a visão sobre o segmento, que vai além da visitação às igrejas. Inclui itinerários, celebrações, atividades culturais, experiências espirituais e conhecimento histórico dos locais visitados.
O decreto contempla dois roteiros principais. O Roteiro Arte e Fé reúne 15 atrativos que valorizam a arquitetura, arte sacra, irmandades, ordens religiosas e a história local. Já o Roteiro Caridade e Fé, com seis pontos, destaca a devoção, o acolhimento, a caridade e a missão cristã. Mariana ressaltou a importância do segundo percurso, que evidencia uma dimensão essencial da experiência religiosa na cidade.
Desafios e oportunidades para o turismo religioso
O vigário episcopal para a Pastoral, padre Manoel Filho, conduziu a reflexão sobre a implementação da Lei nº 9.954/2026 como política pública para o turismo religioso em Salvador. Ele ressaltou o papel social da Pastoral do Turismo e considerou a aprovação da lei um marco que exige planejamento e ações concretas. “Agora temos uma lei municipal, mas é preciso definir para onde vamos”, questionou.
Padre Manoel defendeu a aproximação entre poder público, setor empresarial, Igreja e sociedade civil para transformar a legislação em ações efetivas. Segundo ele, investir no turismo religioso é rentável e atrai público. “Salvador já recebe turistas que visitam igrejas, mas o desafio é ampliar esse fluxo para pessoas que buscam vivenciar a fé”, explicou.
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Territórios e desenvolvimento urbano ligados à fé
Rosemma Maluf, representante da Associação Comercial da Bahia (ACB), apresentou propostas relacionadas ao ordenamento urbano para fortalecer áreas ligadas aos roteiros religiosos. Entre elas, destaca-se a sugestão de que a região entre a Praça da Natividade e a Ribeira seja caracterizada como zona turística no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
Rosemma também mencionou a proposta de ampliar a Avenida Fernandes da Cunha para 32 metros, ressaltando que a criação da zona turística poderia transformar a dinâmica econômica e urbana local. Ela enfatizou o papel da iniciativa privada e da sociedade civil na construção de políticas públicas para a região metropolitana.
Além disso, a representante da ACB apresentou o conceito de “Território Santo”, uma articulação da sociedade civil para incentivar o poder público a adotar medidas que promovam o desenvolvimento dos territórios relacionados à fé. Entre as conquistas, citou a revitalização da Rua do Uruguai, um caminho que conecta áreas como Alagados, Mares, Santa Dulce, São José e Bonfim, formando uma rede de locais marcados pela religiosidade e história de Salvador.
Potencial do turismo religioso para Salvador
Ao reunir diferentes setores, o Fórum de Turismo Religioso reforçou a necessidade de transformar o reconhecimento da vocação religiosa de Salvador em políticas, investimentos e experiências estruturadas. A expectativa é que os roteiros de fé contribuam não só para preservar o patrimônio e valorizar a história local, mas também para acolher visitantes, gerar oportunidades e promover o desenvolvimento dos territórios.

