Fortalecimento da cultura afro-brasileira
A Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), deu início a uma nova fase com a posse de seu Conselho Curador, realizada na última sexta-feira (8), em Brasília. O evento contou com a presença de diversas figuras do governo, além de líderes religiosos, acadêmicos e ativistas conhecidos pela luta antirracista no Brasil. O novo colegiado, que atuará até 2029, terá a missão de acompanhar e direcionar as políticas da FCP, visando fortalecer as diretrizes voltadas para as comunidades quilombolas e os povos de terreiro. Essa ação reafirma o compromisso do Brasil em promover a equidade racial e valorizar as culturas de matriz africana.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou a importância da Fundação Cultural Palmares na construção de um legado voltado para a justiça social e a reparação histórica. Durante sua fala, ela afirmou que a instalação do novo Conselho Curador é parte de um esforço contínuo do governo federal para fortalecer a cultura como motor de desenvolvimento sustentável, inovação e dignidade social. “A cultura deve ser vista não apenas como um aspecto artístico, mas como um gerador de emprego, renda e emancipação”, declarou.
Diversidade e Participação Social
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A relevância da diversidade na composição do Conselho Curador foi um ponto destacado por Margareth. Ela enfatizou que o conselho não é apenas um espaço técnico, mas uma instância de participação popular onde as vozes da cultura negra se encontram e se fortalecem. “Esse conselho carrega um significado profundo de reparação histórica, pois é um espaço de compartilhamento e diálogo em busca de uma gestão mais inclusiva e representativa”, afirmou a ministra.
João Jorge Rodrigues, presidente da Fundação Cultural Palmares, também comentou sobre a diversidade do novo colegiado. Ele destacou que a composição foi cuidadosamente planejada para incluir representantes de diferentes trajetórias e gerações da sociedade civil negra. “Buscamos construir um ambiente que represente a pluralidade e a ancestralidade da nossa cultura. Cada membro deste conselho tem um papel fundamental na trajetória da Palmares e na continuidade dos nossos esforços pela democracia”, pontuou Rodrigues.
Composição do Conselho e Papéis
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O novo Conselho Curador da Fundação é formado por representantes titulares e suplentes da sociedade civil e do governo federal. Entre os titulares da sociedade civil estão nomes reconhecidos como Carlos Alves Moura, Ivair Augusto Alves dos Santos e Sinara Rúbia Ferreira. Os suplentes incluem Maria Aparecida da Silva Bento e Maria da Conceição Evaristo de Brito, entre outros. Organismos federais também estão representados no conselho, incluindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Carlos Alves Moura, que é o primeiro presidente da Fundação, expressou a responsabilidade histórica que os membros do conselho têm em relação à preservação da cultura afro-brasileira e ao combate ao racismo. “Nossa missão é imensa. Precisamos trabalhar para que a comunidade negra seja respeitada e tenha espaço na sociedade brasileira. Formamos uma comunidade cultural aberta dentro da Palmares, tendo em vista a inclusão de todas as vozes brasileiras”, afirmou.
Oportunidades e Iniciativas
O evento também marcou o lançamento do programa Palmares Qualifica, que visa capacitar organizações, coletivos e agentes da cultura afro-brasileira. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), oferecerá orientações sobre elaboração de projetos e acesso a editais de fomento cultural, buscando especialmente apoiar comunidades quilombolas e os povos de terreiro.
A proposta busca democratizar o acesso das populações negras às políticas públicas de financiamento cultural, dando mais visibilidade e apoio às iniciativas que promovem a riqueza da cultura brasileira. Com esse tipo de programa, a Fundação Cultural Palmares almeja não apenas resgatar a cultura afro-brasileira, mas também fortalecer o papel dessas comunidades na sociedade contemporânea.

