Diferenças de Gênero nas Consultas Médicas
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza investigações sobre a saúde da população, especialmente através da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Conforme os dados coletados na Bahia, a maioria dos adultos realiza pelo menos uma consulta médica anualmente, mas esse hábito ainda não é uniforme entre todos.
Entre 2018 e 2019, 74,1% dos baianos com 18 anos ou mais consultaram um médico, um número ligeiramente inferior à média nacional de 76,2%. Contudo, a análise por gênero revela um cenário preocupante: enquanto 82% das mulheres buscaram atendimento médico, apenas 65,5% dos homens seguiram o mesmo caminho.
Comportamento Masculino em Relação à Saúde
A médica Rebeca Gois, que atua na área de Ginecologia e Obstetrícia, aponta que as disparidades entre homens e mulheres na busca por consultas médicas estão mais ligadas ao comportamento do que a questões de saúde propriamente ditas. “De maneira geral, os homens costumam buscar atendimento apenas quando estão apresentando sintomas. Já as mulheres têm um acompanhamento mais regular, seja através de consultas ginecológicas ou pré-natais,” observa Rebeca.
Ela também destaca a influência da cultura nessa questão. “Muitos homens acreditam que demonstrar vulnerabilidade ao procurar um médico é algo negativo. Isso resulta em diagnósticos tardios, com doenças já em estágios avançados, o que, por sua vez, aumenta o risco de internações, eleva os custos e, infelizmente, contribui para a mortalidade masculina,” explica.
Facilitando o Acesso à Saúde
Rebeca defende que facilitar o acesso aos serviços de saúde é essencial para mudar essa realidade. “Medidas como horários mais flexíveis, atendimentos rápidos, iniciativas fora das unidades de saúde e campanhas específicas para esse grupo são fundamentais. É importante ressaltar que, mesmo os homens que realizam check-ups anuais, ainda necessitam de acompanhamento regular, pois muitas condições de saúde não se resolvem com uma única visita por ano,” afirma.
A profissional também enfatiza a necessidade de fortalecer a atenção básica. “Ampliar as equipes, melhorar o acesso nas áreas mais vulneráveis e incorporar a telemedicina são passos importantes para melhorar a saúde da população,” sugere.
Desafios no Interior da Bahia
No interior da Bahia, os obstáculos são ainda mais desafiadores, segundo a médica. “Há uma disparidade significativa entre as áreas urbanas e rurais. Na zona rural, os exames demoram a ser realizados, o que atrasa diagnósticos e tratamentos. O grande desafio é expandir o acesso e cultivar uma cultura de cuidado com a saúde, especialmente entre os homens,” explica Rebeca.
Uma das soluções que ela propõe é a implementação de unidades móveis de atendimento ambulatorial. “Atualmente, temos o SAMU para emergências, mas seria viável criar unidades móveis que alcançassem regiões de difícil acesso, realizando triagens, exames simples, como hemogramas, e acompanhando pacientes que enfrentam dificuldades de transporte,” sugere.
Por fim, os dados ressaltam que cuidar da saúde precisa ser uma prioridade na rotina, especialmente nas áreas onde o atendimento ainda é limitado. Com pequenas alterações no sistema, é possível ampliar o acesso, assegurar um acompanhamento contínuo e reduzir desigualdades, promovendo cuidados de qualidade para um número maior de pessoas.

