Uma Regata que Une Gerações e Culturas
A programação do I Encontro Náutico-Cultural do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, que se concluiu no último domingo, trouxe um espetáculo vibrante à Enseada de Caboto, em Candeias. No sábado (21), mais de 60 embarcações coloriram as águas da Baía de Todos os Santos durante a sua I Regata, atraindo um público diverso e encantado com as atividades oferecidas. Com eventos gratuitos que se estenderam até as 16h30 do dia seguinte, o encontro se destacou não apenas pela competição, mas também pela valorização da cultura local.
A regata, que contou com a participação de velejadores de diferentes idades, premiou os três primeiros colocados em cada uma das nove categorias. Destaca-se a figura de Fred Cardoso, de 80 anos, que, reconhecido como o velejador mais experiente em atividade na Bahia, foi homenageado durante a cerimônia de premiação. A presença de participantes tão jovens quanto 9 anos e tão experientes quanto 80 exemplifica a capacidade do evento de unir gerações em torno da paixão pela vela.
Importância Cultural e Comunidade Engajada
Durante a cerimônia, o Secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, enfatizou o valor do evento para estreitar laços entre o Museu e a comunidade local. “A participação de velejadores e saveiristas, além da comunidade, simboliza o papel do espaço cultural como algo vivo e integrado, promovendo cultura, lazer e esporte”, disse Monteiro. A iniciativa reforça a importância de trazer a cultura náutica para mais próximo do público, garantindo que todos possam vivenciar essa experiência rica.
Além das regatas, os visitantes puderam desfrutar de passeios gratuitos a bordo do saveiro Sombra da Lua, uma embarcação centenária reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os passeios foram realizados em grupos a cada 40 minutos, levando os participantes a uma viagem de cerca de 30 minutos pela enseada, uma oportunidade única de apreciar a beleza natural e a cultura náutica da região.
Inovação e Acessibilidade na Cultura
No contexto da programação, foi também lançado o site do Museu, www.museudoreconcavobaiano.com.br, que visa ampliar o acesso ao acervo e fornecer informações institucionais. O site conta com recursos como tour virtual, audioguia multilíngue, traduções para Libras e audiodescrição, facilitando a acessibilidade para todos. Esta ação foi viabilizada através dos Editais da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio financeiro do Governo da Bahia e do Ministério da Cultura.
Além disso, uma oficina sobre acessibilidade cultural foi oferecida por Sandra Rosa, especialista na área, destacando a importância de tornar a cultura acessível a todos os públicos. Este compromisso com a inclusão é fundamental para fomentar uma experiência cultural enriquecedora e diversificada.
Exposições que Fomentam a Reflexão
O evento também incluiu a exposição “Arandu – Caminhar com a Própria Sombra”, da artista Luiza Nery, parte do projeto Marafo – Ecos do Engenho. A mostra, que reúne cerâmica e performances, convida os visitantes a refletir sobre temas como memória, ancestralidade e pertencimento. Nery destaca que “Exploramos o simbolismo do Marafo de Exu como resistência ao engenho de açúcar, conectando tradições locais com a criação contemporânea e evidenciando a resistência cultural afro-indígena brasileira.” Ao longo do dia, oficinas de cerâmica foram oferecidas ao público, permitindo que os participantes experimentassem a arte diretamente.
Com uma programação que ainda incluiu teatro de fantoches e aulões de dança, o I Encontro Náutico-Cultural do Museu do Recôncavo se mostrou uma experiência rica e diversificada. Realizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em parceria com a Trevo Produções e apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), o evento foi um verdadeiro festival de cultura e lazer, reafirmando a importância da valorização das tradições náuticas.

