O Perigo da Hostilidade no Turismo
Um evento intitulado “Turismo Ético na Bahia” está gerando preocupações significativas. Programado para hoje e amanhã, essa iniciativa é promovida por líderes que já demonstraram aversão a israelenses. Ao se apresentarem como defensores da crise humanitária em Gaza, esses grupos acabam por veicular discursos que incitam o desprezo por visitantes, com base em sua nacionalidade ou identidade coletiva. Tal comportamento é não apenas eticamente questionável, mas também configura crimes de xenofobia e racismo antissemita.
Esses mesmos grupos têm expressado apoio ao regime iraniano, que é um dos principais patrocinadores do Hamas. Como resultado, o discurso que se forma pode gerar uma animosidade política não apenas contra israelenses, mas contra um espectro mais amplo de turistas estrangeiros.
Impactos Diretos nos Turistas Estrangeiros
Entre os vinte principais países que enviam turistas internacionais à Bahia, pelo menos cinco demonstram algum nível de apoio a Estados Unidos e Israel no atual conflito contra o Irã. A Argentina, que é a maior fonte de turistas para o estado, possui um alinhamento político claro com Washington e Tel Aviv. Considerando os países envolvidos no conflito, até oito nacionalidades podem ser alvos indiretos dessa situação.
O problema se estende além dos visitantes internacionais. Turistas brasileiros, especialmente aqueles que pertencem à comunidade judaica ou que são evangélicos e ostentam símbolos religiosos ligados a Israel, podem também enfrentar hostilidade e agressões. A narrativa que começa a atacar os turistas israelenses tende a se expandir, causando um dano reputacional irreparável aos destinos turísticos, afetando muito mais do que os grupos diretamente envolvidos.
A Influência da Hostilidade na Percepção do Destino
A literatura acadêmica sobre turismo reforça esse alerta. Pesquisas realizadas em periódicos como o Journal of Destination Marketing & Management e Tourism and Hospitality Management, assim como estudos da London School of Economics, evidenciam que a animosidade política e os conflitos sociais têm um impacto negativo significativo no fluxo turístico internacional. Ataques diretos, violações de direitos humanos e conflitos podem deteriorar a imagem de um destino, reduzindo a intenção de visita, mesmo entre turistas que não pertencem ao grupo alvo da hostilidade.
Esse fenômeno é conhecido como contágio reputacional. No setor de turismo, também se fala em efeito memória: episódios de hostilidade permanecem na memória dos viajantes por muitos anos e continuam a influenciar decisões sobre futuras viagens, mesmo muito tempo após os eventos passados.
O Preço da Hostilidade no Turismo
Promover hostilidade contra turistas por conta de sua nacionalidade não é apenas eticamente reprovável e juridicamente punido, mas também representa um ato de autossabotagem econômica. O conceito de turismo responsável é amplamente aceito e deve ser baseado em princípios que favoreçam o diálogo intercultural. Transformar destinos turísticos em palcos de hostilidade identitária resulta em um turismo irresponsável, colocando em risco a reputação de locais que historicamente se basearam em valores de hospitalidade, pluralismo cultural e convivência pacífica.
Assegurar ambientes turísticos seguros e acolhedores não é apenas uma obrigação ética e legal. É uma condição essencial para a sustentabilidade econômica e social das regiões que dependem da hospitalidade. Portanto, é fundamental que líderes e cidadãos se comprometam a promover um turismo que respeite a diversidade e acolha todos os visitantes, independentemente de sua origem.

