Escândalo de Corrupção Abala Cenário Político da Bahia
As investigações relacionadas ao escândalo de corrupção do banco Master estão provocando um forte impacto na política da Bahia, afetando figuras de diferentes espectros, tanto da direita quanto da esquerda. Entre os nomes citados estão o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União-BA), e o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Com as eleições estaduais se aproximando, o clima político esquenta, já que Neto se prepara para disputar o cargo de governador contra o atual mandatário, Jerônimo Rodrigues (PT), enquanto Wagner busca uma vaga no Senado na chapa governista.
Uma das revelações mais alarmantes surgiu a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicou que ACM Neto recebeu cerca de 3,6 milhões de reais do banco Master e da gestora de recursos Reag, alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, entre março de 2023 e maio de 2024. Neto, por sua vez, justifica esses valores como referentes a serviços de consultoria prestados durante o período.
Por outro lado, Jaques Wagner está envolvido em um caso que diz respeito à empresa de sua nora, a BK Financeira, que teria recebido 11 milhões de reais do banco Master. Wagner nega qualquer participação nas operações da empresa e afirma não ter conhecimento das investigações em curso. Além disso, ele privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que foi vendida em 2018 a Augusto Lima, ex-parceiro de Daniel Vorcaro no banco Master. Lima deixou a instituição em 2023, levando consigo ativos que estavam incluídos no leilão de Rui Costa, como o Credcesta, um cartão de crédito destinado a servidores e aposentados.
Troca de Acusações Aquece o Ambiente Político
Com a revelação das investigações, o embate entre direita e esquerda já começou a ganhar força, com acusações e defesas de ambos os lados. No dia 13, Wagner previu que novos fatos envolvendo a oposição seriam divulgados em breve, insinuando que isso poderia prejudicar a campanha de ACM Neto ao governo da Bahia. “Notícia ruim sempre compromete uma caminhada [política] que se está fazendo. E, pelo que estou sabendo, é só o começo, só a ponta do iceberg, tem mais coisa a caminho”, comentou o senador.
Em resposta, o atual prefeito de Salvador, aliado de Neto, saiu em defesa do ex-prefeito. Ele argumentou: “Você já viu alguém fazer coisa errada, receber na conta e declarar no imposto de renda?”, referindo-se à declaração dos valores recebidos por Neto. O prefeito acrescentou que os serviços de consultoria fornecidos por Neto foram prestados em um período sem quaisquer suspeitas de irregularidade envolvendo o banco.
Nas redes sociais, políticos ligados a Jair Bolsonaro também não deixaram de entrar na discussão, criticando a origem do escândalo. Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou: “O escândalo do Banco Master não é um acaso. É mais um capítulo do projeto de poder do PT. Da Bahia ao Planalto, vemos o mesmo padrão de aparelhamento e corrupção. Padrão PT.” Essa declaração reflete como a crise está sendo usada politicamente em diversas frentes.
Governador da Bahia Pretende Usar Caso em Benefício Político
Além disso, o governador Jerônimo Rodrigues, que figura atrás de ACM Neto nas pesquisas de intenção de voto, já deixou claro que pretende aproveitar a situação em seu favor. “Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente de fato a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério”, afirmou Rodrigues, evidenciando sua intenção de usar a investigação como uma alavanca em sua campanha.
Enquanto isso, a equipe de campanha de ACM Neto acredita que será essencial adotar uma abordagem cautelosa diante das investigações, planejando a superação dessa crise através de estratégias de marketing eleitoral. O responsável por essas estratégias será João Santana, ex-marqueteiro do PT, que promete trazer sua experiência para ajudar Neto a navegar por esse turbulento cenário político.

