Aumento da Inadimplência de Aluguel na Bahia
A inadimplência de aluguel na Bahia registrou um aumento significativo em 2025, passando de 4,95% em 2024 para 5,44%, o que representa uma variação de 0,49 ponto percentual. Esses números superam tanto a média do Nordeste, que é de 5,15%, quanto a média nacional, que se encontra em 3,50%. Os dados são oriundos do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, uma das principais plataformas de soluções tecnológicas e financeiras voltadas para os mercados imobiliário e condominial do Brasil.
Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, comenta que “a Bahia encerra o ano com um aumento na inadimplência geral em comparação ao ano anterior, embora apresente sinais promissores para 2026, após uma queda de 7,51% para 5,53% entre novembro e dezembro.” No entanto, ele ressalta que é preciso cautela, já que fatores como inflação e juros continuam a pressionar os gastos fixos. Qualquer alteração nesses indicadores pode impactar a capacidade de pagamento dos locatários nos meses seguintes.
Desafios Econômicos e Seus Impactos
Gonçalves também menciona que outros fatores externos podem influenciar o orçamento das famílias. Um exemplo são as apostas (betting), que, segundo o Banco Central, causaram perdas econômicas de R$ 38,8 milhões no último ano. Esses elementos devem ser levados em conta para garantir que as contas continuem equilibradas.
No Nordeste, os imóveis comerciais lideram a taxa de inadimplência, com 8,19%, o que representa um aumento de 0,68 ponto percentual em relação a 2024. As casas vêm em seguida, com 6,41% de inadimplência, um leve aumento de 0,17 ponto percentual, enquanto os apartamentos apresentaram uma redução de 1,75 ponto percentual, atingindo 3,14% de inadimplência.
Taxas de Inadimplência em Nível Nacional
Durante o primeiro semestre, as regiões Norte e Nordeste alternaram entre as mais altas taxas de inadimplência do país, com o Norte liderando nos meses de janeiro, fevereiro, março e maio. Por outro lado, no segundo semestre, o Nordeste manteve a liderança em todos os meses, com um pico de 6,84% em outubro. No total, a região Nordeste manteve o maior índice do Brasil, com 5,15%, apesar de uma queda de 0,68 ponto percentual em relação a 2024, que foi de 5,83%. O Norte fechou o ano com uma taxa de 4,88%, com uma redução de 0,70 ponto percentual.
O Centro-Oeste se posicionou em terceiro lugar em 2025, com uma taxa de 3,59%, aumento de 0,42 ponto percentual em relação a 2024. O Sudeste, por sua vez, registrou 3,24% (um leve aumento em comparação a 3,12%), enquanto o Sul finalizou o ranking com 2,89%, um aumento em relação a 2,75% do ano anterior. Gonçalves observa que embora as taxas dessas regiões sejam inferiores às do Norte e Nordeste, o aumento em relação ao ano passado gera um alerta para a necessidade de monitorar a situação também nessas áreas.
Comparação entre Imóveis Comerciais e Residenciais
No cenário nacional, o levantamento revela que os imóveis comerciais apresentam taxas de inadimplência superiores às residenciais. As médias registradas em 2025 foram de 2,36% para apartamentos, 3,79% para casas e 4,84% para prédios comerciais. Enquanto as casas e os imóveis comerciais tiveram crescimentos nas taxas de inadimplência, os apartamentos apresentaram uma leve queda de 0,08 ponto percentual.
Os imóveis comerciais não apenas registraram o maior aumento anual, mas também lideraram a inadimplência ao longo de 2025, com taxas variando entre 4,12% e 5,55%, sendo setembro o mês com o maior índice. Segundo Gonçalves, esse tipo de imóvel pode sofrer mais com a instabilidade econômica e os desafios que as empresas enfrentam, refletindo as dificuldades financeiras de muitos empreendedores brasileiros.
Perspectivas para o Futuro
Gonçalves destaca que o ano foi marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas, com a Selic atingindo 15%, e a perda de força da atividade econômica no Brasil, após três anos consecutivos de crescimento. A expectativa de crescimento é de 2,6% para 2025, em comparação a 3,4% em 2024. “Esses fatores impactam diretamente o poder de compra das famílias brasileiras e suas capacidades de arcar com as despesas. Portanto, é fundamental começar o novo ano com cautela e atenção, a fim de manter as contas em dia e evitar problemas futuros”, alerta o especialista.

