A Celebração dos Heróis de Itaparica
No dia 7 de janeiro de 1823, a história da Bahia ganhou um marco significativo, e, neste mês de janeiro, a data é celebrada com uma programação especial organizada pela Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), na Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, localizada no centro de Itaparica.
A programação inclui a exposição histórica “Itaparica, 203 Anos de Independência” e o documentário “7 de Janeiro – A Festa do Povo Itaparicano”. A mostra traz uma coleção de livros, fotografias e recortes de jornais que abordam a trajetória de heróis e heroínas cruciais para a independência, como Maria Felipa e João das Botas.
O documentário, com direção e roteiro de Vitória Cezar, tem uma duração de 13 minutos e apresenta depoimentos de pessoas que participam dessa festividade popular, que já dura mais de dois séculos, além de destacar as manifestações culturais que fazem parte dos festejos.
Tanto a exposição quanto o curta-metragem estarão abertos ao público entre os dias 5 e 30 de janeiro, em dias de semana, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h.
A Memória Coletiva e a Identidade Baiana
Comemorando 203 anos de resistência, a população de Itaparica reafirma a relevância da memória e da identidade cultural na Bahia. O historiador Walter Silva, que também é diretor do Centro de Memória da Bahia, enfatiza a importância dessa data. Segundo ele, “o 7 de janeiro de 1823 simboliza a determinação e a força do povo itaparicano na batalha que assegurou uma trajetória vitoriosa nas lutas pela Independência do Brasil na Bahia”.
Silva relembra que, naquele dia, a comunidade enfrentou uma poderosa força naval portuguesa que tentava retomar o controle da Ilha de Itaparica, um ponto estratégico para o abastecimento de Salvador, que estava sob cerco das forças brasileiras. “Maria Felipa e João das Botas se destacam como figuras emblemáticas que resistiram bravamente, e rememorar essa data é essencial para compreender a história e a memória do nosso povo”, completa o historiador.
Essa celebração não é apenas uma recordação dos eventos passados, mas também um reforço da identidade cultural e do compromisso com a história que moldou a identidade baiana. A FPC, com suas iniciativas, busca não somente homenagear o passado, mas também envolver a comunidade em reflexões sobre a importância da cultura local.
Participação da Comunidade e o Impacto Cultural
A programação organizada pela Fundação Pedro Calmon é uma oportunidade valiosa para que a população de Itaparica e visitantes possam se conectar com sua história e cultura. Através da exposição e do documentário, é possível vislumbrar a riqueza cultural que emana das tradições locais e o papel fundamental que a comunidade desempenhou em episódios históricos significativos.
Isso reflete um esforço contínuo de valorização da história local e do reconhecimento de personagens que, embora muitas vezes esquecidos, são essenciais para a construção da identidade coletiva. Ao promover essas atividades, a FPC não apenas celebra um feito histórico, mas também incentiva um diálogo intergeracional sobre a importância de preservar e transmitir a memória cultural.
Por meio dessas iniciativas, espera-se fomentar um maior interesse pela história de Itaparica, especialmente entre os jovens, que são o futuro guardião da cultura baiana. A programação deste mês é, portanto, um convite a todos para celebrar, aprender e se inspirar nas histórias que moldaram a identidade de um povo.

