Entenda os riscos do metanol e as medidas de emergência necessárias em casos de intoxicação
A Secretaria da Saúde da Bahia confirmou que, na quarta-feira (31/12), sete pessoas no interior do estado foram hospitalizadas após ingestão acidental de metanol presente em bebidas adulteradas. Esse incidente traz à tona a necessidade de maior conscientização sobre os perigos associados a esse tipo de intoxicação, levando até mesmo à suspensão da venda de bebidas no município de Ribeira do Pombal, localizado a cerca de 290 quilômetros de Salvador.
No Brasil, o metanol já foi identificado em diversas bebidas alcoólicas e, nos últimos anos, causou a morte de pelo menos 10 pessoas, além de deixar outras em coma ou com cegueira permanente. O metanol possui aparência incolor e um aroma e sabor que se assemelham ao do etanol, o álcool comum das bebidas, embora seja mais intenso e cause uma sensação mais agressiva ao ser ingerido.
Sintomas e riscos à saúde
O metanol é uma substância extremamente tóxica, frequentemente utilizada em processos industriais e, de forma ilegal, adicionada a bebidas alcoólicas. Mesmo pequenas quantidades de bebidas adulteradas podem causar danos severos. Portanto, caso ocorra a ingestão, é crucial buscar atendimento médico com urgência, preferivelmente em até seis horas após o consumo.
Os primeiros sintomas geralmente aparecem entre seis e vinte e quatro horas após a ingestão. Os indivíduos afetados podem apresentar náuseas, tonturas, dores de cabeça, dores abdominais intensas, visão turva ou com manchas e dificuldades de coordenação motora. Em situações mais graves, podem ocorrer cegueira e coma. Embora os sintomas possam ser confundidos com uma ressaca comum, a evolução do quadro clínico tende a ser rápida e progressiva, o que torna vital procurar assistência médica imediatamente.
O que fazer diante de suspeitas?
Se você suspeitar de uma intoxicação por metanol, é fundamental agir rapidamente:
- Dirija-se a um hospital imediatamente.
- Leve a embalagem da bebida ou uma amostra para facilitar o diagnóstico.
- Acione serviços de emergência, como o Disque Intoxicação da Anvisa pelo telefone 0800 722 6001.
- Informe outras pessoas que possam ter consumido a mesma bebida.
O tratamento contra o metanol
O tratamento deve ser iniciado imediatamente, visto que o organismo converte o metanol em compostos que podem acidificar o sangue. O protocolo de tratamento envolve a administração de antídotos específicos, correção do desequilíbrio metabólico e, em casos mais severos, hemodiálise para a eliminação da substância.
O antídoto principal utilizado é o fomepizol, um derivado alcoólico que auxilia no metabolismo do metanol. Este medicamento deve ser administrado em até 72 horas após a ingestão, sempre sob orientação de uma equipe médica especializada e está disponível exclusivamente para hospitais.
Na ausência do fomepizol, o etanol farmacêutico pode ser utilizado como alternativa no tratamento, embora sua eficácia seja inferior. O etanol age como uma medida de contenção, fazendo com que o fígado priorize a metabolização do etanol em vez do metanol, retardando sua conversão em formaldeído e ácido fórmico.
Por sua vez, o fomepizol atua diretamente bloqueando a enzima responsável por essa conversão, evitando a formação do ácido fórmico, que é prejudicial ao nervo óptico e ao sistema nervoso, tornando-o assim um tratamento mais eficaz e seguro.
Segundo informações do governo baiano, todos os pacientes afetados já receberam o antídoto apropriado. Além disso, a vigilância sanitária local interditou o estabelecimento responsável pela venda das bebidas envolvidas nos casos de intoxicação, como parte das medidas adotadas para prevenir novos episódios.

