Medidas de Segurança Contra a Intoxicação por Metanol
A recente onda de intoxicações por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas no estado da Bahia levou o Ministério da Saúde a enviar 100 ampolas do antídoto fomepizol. Ao mesmo tempo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta à população, pedindo cautela ao consumir bebidas sem procedência, que podem conter essa substância altamente tóxica. Pelo menos sete pessoas de Ribeira do Pombal foram internadas com sintomas preocupantes, e uma delas já recebeu alta.
No último dia 31, o Ministério da Saúde reforçou o estoque do medicamento na Bahia, que agora conta com 206 ampolas de fomepizol, além de 318 unidades de etanol farmacêutico, ambos usados no tratamento de intoxicações. Em nota, a pasta explicou que são necessárias entre quatro e cinco unidades do fomepizol, podendo variar conforme o peso do paciente. Para o etanol, a recomendação é de aproximadamente 30 ampolas de 10 ml por paciente.
As vítimas relataram que consumiram bebidas destiladas adquiridas em um único estabelecimento, que já foi interditado. O consumo ocorreu durante uma festa de noivado, onde os pacientes apresentaram sintomas típicos de intoxicação por metanol, como náuseas, vômitos e visão turva. Todos foram atendidos no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, e dois precisaram ser transferidos para o Instituto Couto Maia, em Salvador.
Exames realizados pelo laboratório do Departamento de Polícia Técnica em Salvador confirmaram a presença de metanol nas amostras coletadas.
Histórico de Intoxicações por Metanol
Nos últimos meses, a questão da intoxicação por bebidas adulteradas por metanol tornou-se uma grave crise de saúde pública no Brasil. Entre setembro e dezembro de 2025, foram registrados 73 casos confirmados e 22 mortes. O estado de São Paulo liderou as estatísticas, com 50 casos e dez óbitos. Outros estados como Pernambuco, Paraná e Bahia também registraram incidentes, com o sucesso do etanol e do fomepizol como tratamentos de referência.
Diretrizes da Anvisa para a População
A Anvisa, por sua vez, ressaltou a importância da cautela ao adquirir bebidas alcoólicas, destacando que o metanol é um líquido incolor e volátil, de odor similar ao etanol, mas extremamente perigoso. A ingestão de metanol pode levar a consequências graves, incluindo danos irreversíveis ao sistema nervoso e à visão, podendo resultar em coma ou morte se não tratado rapidamente.
Prevenção e Identificação de Intoxicação
A seguir, algumas orientações para evitar a intoxicação por metanol: sempre verifique a procedência da bebida. Evite comprar bebidas sem rótulo, sem lacre de segurança ou selo fiscal da Receita Federal. Desconfie de preços que estejam muito abaixo do mercado e atente-se aos rótulos, que devem incluir informações sobre o fabricante, lista de ingredientes e registro no Ministério da Agricultura.
Compre em estabelecimentos confiáveis, exija nota fiscal e guarde o comprovante. Além disso, observe a aparência da bebida: destilados devem ser límpidos, e qualquer alteração de cor ou presença de partículas é um sinal de alerta. Também é recomendável evitar bebidas caseiras ou artesanais não reguladas.
Em eventos e estabelecimentos, mantenha o direito de saber a origem da bebida. Sempre que possível, peça para ver a garrafa antes de preparar um drink e procure, se viável, que o preparo seja feito na sua frente.
Sinais de Intoxicação por Metanol
Os sinais de intoxicação incluem cólicas, sonolência, tontura, náuseas, vômitos, confusão mental, taquicardia, visão turva, fotofobia e convulsões. Diante desses sintomas, é fundamental buscar atendimento médico rapidamente para a administração do antídoto, que pode ser o fomepizol ou etanol, utilizado em ambiente hospitalar para interromper a metabolização do metanol. A saúde pública depende do cuidado e conscientização na compra e consumo de bebidas alcoólicas.

