Impactos da Irrigação na Agricultura Brasileira
Um estudo inédito realizado pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em colaboração com o GPP/USP/ESALQ (Grupo de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) demonstra que a ampliação da agricultura irrigada em regiões específicas da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul poderá não apenas aumentar a produtividade das lavouras temporárias, mas também criar mais empregos no meio rural e incrementar o valor adicionado bruto da agropecuária. Este estudo faz parte de uma pesquisa mais abrangente, que será oficialmente divulgada ao final de maio.
De acordo com a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), existem atualmente áreas preparadas para irrigação que somam cerca de 8,2 milhões de hectares. Este número, no entanto, pode ser ampliado em mais de cinco vezes, caso se incorporem os 55,85 milhões de hectares disponíveis, dos quais aproximadamente 48% são ocupados por pastagens.
“O estudo apresenta evidências robustas e um impacto mensurável, sugerindo que a agricultura irrigada se tornará ainda mais relevante frente aos desafios climáticos e produtivos. Isso não só aumentará a eficiência no campo, mas também ajudará a diminuir as desigualdades regionais. Acreditamos que, com políticas públicas eficientes e um planejamento adequado, a tecnologia poderá ser escalada no Brasil, permitindo ao produtor aumentar sua produção com segurança, mesmo diante das oscilações climáticas”, comentou Luiz Paulo Heimpel, Vice-presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da ABIMAQ).
Comparação Regional e Melhora na Qualidade de Vida
A pesquisa analisou sete polos regionais fortemente associados à irrigação. Os resultados revelaram que esses polos oferecem remunerações significativamente superiores às de outros municípios rurais. Por exemplo, na Bahia, os rendimentos são, em média, 68,6% maiores. Em Minas Gerais, essa diferença é de 42,85%, enquanto o Rio Grande do Sul e Mato Grosso apresentam aumentos de 11,96% e 8,13%, respectivamente.
Além do aumento na renda, a pesquisa também identificou que os polos de irrigação desfrutam de melhor qualidade de vida. Notavelmente, esses polos têm uma dependência muito menor de programas de transferência de renda. No Mato Grosso, cerca de 50% dos beneficiários a menos em comparação com outros municípios rurais é uma demonstração clara desse avanço.
No que se refere à economia, o PIB per capita nos polos de irrigação pode ser até 256% superior ao de outros municípios rurais. Em Mato Grosso, esse indicador ultrapassa os R$ 182 mil, um dos níveis mais elevados identificados no estudo.
Benefícios Imediatos e de Longo Prazo
Simulações realizadas no estudo indicam que a expansão da irrigação nos polos analisados gera resultados tanto imediatos quanto duradouros. A cada 1.600 hectares irrigados, pode-se aumentar o valor adicionado bruto da agropecuária em R$ 8,27 milhões no curto prazo, levando à criação de empregos formais. A longo prazo, esse impacto pode chegar a quase R$ 14 milhões.
Pilares para a Expansão da Irrigação
Apesar do imenso potencial, o progresso da irrigação no Brasil requer uma agenda coordenada de políticas públicas em conjunto com ações do setor privado. O estudo identifica quatro pilares fundamentais para facilitar essa expansão:
- Acesso à energia competitiva;
- Capacitação de mão de obra qualificada;
- Gestão eficiente dos recursos hídricos;
- Aumentar a conectividade nas áreas rurais.
Os pesquisadores defendem que a irrigação deve ser considerada um componente essencial das políticas agrícolas e da estratégia de segurança alimentar do país.
“A irrigação proporciona previsibilidade ao produtor, reduzindo riscos e aumentando a produtividade. Os dados demonstram que seus efeitos extrapolam a produção, impactando diretamente na renda e no desenvolvimento regional”, conclui Luiz Paulo Heimpel.

