A Arte como Ação: mobilização no Pelourinho
Um jumento inflável de três metros instalado no vibrante Pelourinho está chamando a atenção de moradores e turistas que transitam pelo Centro Histórico de Salvador. Esta estrutura inusitada é o ponto de partida para uma mobilização que combina arte, cultura popular e ativismo, com o objetivo de alertar sobre o risco de extinção dos jumentos no Brasil.
A ação teve início na última segunda-feira (4) e está programada para acontecer até a quarta-feira (7), ocupando diferentes espaços da cidade com intervenções que vão além do impacto visual. Ao redor do inflável, ativistas se envolvem diretamente com o público, distribuindo materiais informativos e fomentando o debate sobre o abate desses animais no país.
Nos primeiros dias, a mobilização ganhou ainda mais força com a presença de um repentista, que transformou dados alarmantes em versos improvisados. Essa tradição oral nordestina se revela como uma ferramenta poderosa de conscientização, aproximando o tema de quem passa e estabelecendo uma conexão imediata com o público.
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Números Alarmantes: O Futuro dos Jumentos
O alerta é fundamentado em dados preocupantes. De 1996 até 2024, o Brasil assistiu a uma perda drástica de cerca de 94% de sua população de jumentos. Atualmente, existem apenas seis jumentos para cada 100 que existiam na década de 1990. O principal responsável por essa diminuição acentuada é o abate voltado para a exportação de peles, que resulta na produção do ejiao, uma substância usada na medicina tradicional chinesa e cuja eficácia não é comprovada por estudos científicos.
Em meio a essa realidade alarmante, uma decisão recente da Justiça Federal suspendeu temporariamente o abate, mas especialistas e organizações, como a The Donkey Sanctuary e a Frente Nacional em Defesa dos Jumentos, argumentam que apenas uma legislação federal pode assegurar a proteção definitiva desses animais. Por essa razão, a mobilização também visa pressionar a aprovação do Projeto de Lei 2387/2022, que propõe a proibição desse tipo de prática em todo o território nacional.
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Neste contexto, a instalação do jumento inflável no Pelourinho se revela mais do que uma simples obra de arte. Trata-se de uma estratégia de conscientização e engajamento, que busca transformar a percepção da sociedade sobre um tema que, embora delicado, é de extrema importância para a biodiversidade do Brasil. À medida que os ativistas interagem com o público, fica evidente que a luta pela preservação dos jumentos é, na verdade, um manifesto pela manutenção da cultura e do meio ambiente nordestino.
Assim, Salvador se torna palco de uma discussão vital, onde arte, cultura e ativismo se entrelaçam, e o jumento inflável se transforma em um símbolo de resistência e esperança. A mobilização propõe, portanto, não apenas uma reflexão sobre a situação dos jumentos, mas também um convite à ação. A união de vozes e a sensibilização da população são fundamentais para garantir que esses animais não sejam apenas lembrados nas memórias afetivas de um passado distante, mas que também tenham um futuro garantido.

