Liberdade Condicionada e Detalhes da Fuga
Na manhã desta terça-feira (17), Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, foi solta após permanecer mais de um ano na prisão. Ela é acusada de ser cúmplice na fuga de 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024. Sua liberação gerou uma série de questionamentos, principalmente em relação aos detalhes da fuga, que envolveu a invasão da unidade por homens armados. Joneuma deixou o presídio acompanhada de sua filha, que nasceu enquanto ela estava encarcerada.
A fuga, conforme apurado, aconteceu durante um ataque de um grupo armado à unidade, resultando na morte de dois indivíduos em confronto com a polícia, enquanto um outro foi recapturado. Os esforços das autoridades continuam na busca pelos outros 13 fugitivos.
Desdobramentos da Operação e Relação com o Crime Organizado
Em março, a Polícia Civil executou mandados de prisão e busca em mais uma fase da investigação relacionada à fuga. Joneuma foi um dos objetivos da operação. Durante um desses mandados, um suspeito conseguiu escapar após disparar contra os agentes, mas drogas, dinheiro e anotações relevantes foram apreendidas.
O único foragido recapturado até o momento foi Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, encontrado em setembro de 2025. Dois fugitivos foram mortos, incluindo Anailton Souza Santos, o Nino, e Rubens Lourenço dos Santos, conhecido como Binho Zoião. Ambos estavam associados à facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis.
De acordo com o coronel Luís Alberto Paraíso, a fuga foi facilitada por uma ação coordenada, já que enquanto os detentos estavam envolvidos em escavações, um grupo armado invadia o presídio. “O grupo cortou a grade e começou a atirar, facilitando a fuga dos presos”, detalhou o comandante.
Ambiente de Conflito e Segurança no Presídio
Durante o ataque, um dos cães de guarda foi morto e um fuzil sem numeração foi encontrado na cena. A investigação continua a revelar a extensão da corrupção e da influência do crime organizado dentro do sistema penitenciário da Bahia, algo que levanta preocupações quanto à segurança nas unidades prisionais.
Os nomes dos detentos que conseguiram escapar foram divulgados, trazendo à tona a realidade do tráfico de drogas e homicídios em que estavam envolvidos. A operação de fuga foi planejada para libertar Edinaldo Pereira Souza, o “Dada”, identificado como líder da facção criminosa, juntamente com outros 15 prisioneiros.
Um Olhar Sobre a Direção do Conjunto Penal
Joneuma Silva Neres, que foi a primeira mulher a dirigir um presídio no estado, ocupou o cargo por nove meses antes de ser presa. Informações sugerem que ela tinha relações com Dada, o que levantou suspeitas sobre sua conduta à frente da unidade. O ex-coordenador de segurança, Wellington Oliveira Santos, forneceu depoimentos reveladores sobre as regalias concedidas aos presos e a relação íntima que Joneuma mantinha com o líder da facção.
Os relatos indicam que a entrada não monitorada de visitas e objetos como roupas e eletrônicos era uma prática comum durante sua gestão. Além disso, a possibilidade de encontros íntimos entre Joneuma e Dada dentro do presídio foi mencionada, criando um clima de impunidade e irregularidades.
Consequências Legais e Futuras Investigações
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) avançou com uma denúncia contra Joneuma e outros envolvidos, apontando que os detentos foram deliberadamente agrupados antes da fuga, e que a ex-diretora estava ciente da situação. O MP também identificou que a ferramenta utilizada na fuga foi mantida sob sua custódia antes da operação.
Enquanto isso, o estado continua a enfrentar os desafios de gerenciar a segurança nas prisões, bem como a necessidade de uma revisão nas práticas de supervisão e controle dentro das unidades. Em meio a um clima de insegurança, o governador exonerou o diretor do Conjunto Penal, buscando implementar mudanças na administração e segurança das unidades prisionais na Bahia.

