Análise da Abramet destaca a gravidade dos atropelamentos envolvendo veículos de grande porte
Um estudo recente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) alerta sobre os riscos que SUVs e picapes representam para pedestres em casos de atropelamento. Segundo as novas diretrizes de segurança de trânsito, a publicação intitulada ‘Tolerância Humana a Impactos: Implicações para a Segurança Viária’ revela que esses veículos, com suas frentes elevadas e rígidas, provocam lesões mais graves em comparação a carros de passeio.
De acordo com o médico Flávio Adura, diretor científico da Abramet e coordenador do estudo, a biomecânica do impacto é a principal explicação para a gravidade das lesões. Em veículos menores, o impacto inicial geralmente atinge as pernas do pedestre, projetando-o sobre o capô e consequentemente reduzindo a severidade das lesões. “Nos SUVs, o impacto frequentemente atinge áreas vitais como tórax, abdômen ou cabeça, aumentando consideravelmente a gravidade dos ferimentos”, esclarece Adura.
Além disso, os SUVs e picapes, por sua maior massa e rigidez estrutural, apresentam uma transferência de energia no impacto que eleva o risco de lesões. O aumento na presença desses veículos na frota nacional significa que pedestres e ciclistas estão cada vez mais expostos a essa realidade arriscada, mesmo com os avanços nas medidas de proteção para os ocupantes dos carros.
As diretrizes ressaltam que, em velocidades superiores a 30 km/h, o risco de lesões graves em pedestres aumentam consideravelmente. Em um estudo da Abramet, cada 10 cm adicionais na altura da parte frontal do veículo podem elevar em até 22% o risco de morte para o pedestre envolvido no acidente. A análise ainda menciona que, em colisões reais, cerca de 30% dos pedestres atropelados por SUVs morrem em impactos entre 32 km/h e 64 km/h, em contraste com aproximadamente 23% quando se trata de um carro de passeio.
A situação se torna ainda mais alarmante quando se considera que a probabilidade de morte de um pedestre ou ciclista é 44% maior quando o impacto envolve um SUV ou veículo utilitário leve em comparação a carros menores. Entre crianças, esse risco pode chegar a até 82%, segundo os dados apresentados por Adura.
O estudo da Abramet também trouxe à tona um outro aspecto preocupante: a visibilidade limitada em veículos maiores. Um levantamento realizado pelo IIHS (Insurance Institute for Highway Safety) demonstrou que a área cega aumentada em SUVs e picapes contribui significativamente para o aumento do número de atropelamentos. Em comparação aos carros menores, a chance de colisão em manobras de conversão é de 23% a 42% maior para esses veículos, devido ao seu tamanho e características estruturais.
Embora a discussão sobre a segurança no trânsito tenha ganhado mais atenção, Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, enfatiza a falta de estudos específicos sobre utilitários esportivos, destacando a necessidade de mais pesquisas para compreender os impactos desse tipo de veículo nos acidentes de trânsito.
Além disso, a nova diretriz da Abramet recomenda uma série de medidas para aumentar a segurança no trânsito, como a melhoria no design dos veículos para absorver melhor a energia do impacto e a incorporação de tecnologias de segurança ativa, como sistemas automáticos de frenagem de emergência.
A publicação ainda discute a importância de revisões nas velocidades máximas permitidas, especialmente em áreas urbanas, e a necessidade de infraestrutura adequada para proteção de pedestres e ciclistas, com travessias seguras e iluminação adequada.
Em um contexto onde os dados sobre a segurança viária são alarmantes, a Abramet sinaliza que a educação dos motoristas e o gerenciamento das velocidades devem ser tratados como prioridades na busca pela redução de acidentes e mortes nas estradas.

