Lula Critica ONU e Defende Reforma do Conselho de Segurança
No último sábado (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua insatisfação com a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) em seu discurso em Bogotá, Colômbia, durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac-África. Segundo ele, a ONU, especialmente o seu Conselho de Segurança, não estaria cumprindo seu papel de promover a paz mundial, mas sim contribuindo para a intensificação de conflitos em regiões como a Faixa de Gaza, Ucrânia e Irã.
“O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, afirma Lula, enfatizando a passividade da organização frente a crises internacionais. O presidente expressou sua indignação ao lembrar que o conselho não conseguiu resolver disputas duradouras em locais como Gaza e Líbia, ressaltando que as potências que detêm mais poder bélico se consideram donas do destino mundial.
Lula destacou a urgência de uma reforma no Conselho de Segurança, defendendo maior representação para a América Latina e a África. “Até quando a ONU vai deixar de convocar uma reunião extraordinária para que possamos discutir o papel dos membros do Conselho de Segurança? Precisamos de renovação e uma maior diversidade de países representando essa entidade”, questionou.
A situação atual, segundo o presidente, representa um dos períodos de maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial, comparando os investimentos em armamentos ao número alarmante de pessoas que ainda passam fome. Ele mencionou que, em 2024, cerca de 630 milhões de pessoas enfrentaram a escassez alimentar, enquanto os gastos globais com armas atingiram US$ 2,7 trilhões.
O discurso de Lula também fez um paralelo entre suas experiências passadas e a atual situação do Irã, recordando sua visita a Teerã em 2010, quando buscou negociar um acordo de enriquecimento de urânio, supostamente aprovado pelo então presidente americano Barack Obama. Ele criticou a resposta dos EUA e Europa, que ampliaram as sanções, em vez de respeitar os acordos estabelecidos.
Além disso, Lula levantou a questão da exploração de minerais críticos e terras raras, alertando sobre a nova forma de dominação que países da América Latina e África ainda enfrentam, consequência de uma colonização histórica. “É fundamental que os países da América Latina e da África não aceitem ser meras exportadoras de recursos naturais”, defendeu, sugerindo que os investidores estrangeiros se instalem e produzam localmente.
O presidente também reafirmou a importância de que o Atlântico Sul permaneça livre de disputas geopolíticas, anunciando que o Brasil sediará, em 9 de abril, uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, reforçando seu compromisso com a paz na região.

