O desafio do turismo excessivo
As flores de cerejeira continuam a desabrochar ao redor do icônico Monte Fuji, no Japão, enquanto turistas se aglomeram para admirar essa beleza natural. No entanto, em 2023, a cidade de Fujiyoshida optou por cancelar seu famoso festival sakura, uma celebração que atraía anualmente cerca de 200 mil visitantes em uma localidade com apenas 44 mil habitantes. Os residentes expressaram preocupações com o comportamento dos turistas, que, segundo relatos, deixavam lixo, invadiam jardins e até entravam em propriedades particulares.
Esse cancelamento reflete um fenômeno crescente: a frustração de moradores em destinos turísticos saturados. De acordo com dados recentes, o Japão atingiu um recorde histórico de 43 milhões de visitantes em 2025, enquanto a Europa absorveu mais da metade dos voos internacionais, totalizando aproximadamente 1,5 bilhão. As previsões para 2030 apontam um aumento desse número para 1,8 bilhão, forçando os governos a buscar soluções para gerenciar essa pressão.
Inovações em gestão de turismo
Diante desse cenário, muitos países estão adotando medidas que, há alguns anos, poderiam parecer drásticas. Entre as estratégias implementadas, destacam-se o uso de inteligência artificial para controle de multidões, a construção de barreiras físicas e a imposição de ingressos com valores significativamente mais altos para turistas estrangeiros. O foco desses países é continuar atraindo visitantes, mas de forma mais sustentável, minimizando a sobrecarga sobre locais populares.
O Japão, por exemplo, não parou apenas no cancelamento do festival. Em 2024, a cidade de Fujikawaguchiko construiu uma barreira para impedir o acesso a um ponto de selfie muito procurado, uma medida que visa manter a segurança e preservar a propriedade pública. Em Kyoto, onde as multidões são um problema recorrente, as autoridades implementaram restrições na fotografia de gueixas e limitaram o acesso a áreas tradicionais como o distrito de Gion. Além disso, a cidade lançou tecnologias de gerenciamento de turismo, como o aplicativo Smart Navi, que fornece informações em tempo real sobre o fluxo de turistas, ajudando a evitar aglomerações.
Mudanças nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a abordagem para lidar com o excesso de turismo tem sido mais voltada à questão financeira. Em 2026, o país introduziu uma taxa adicional de US$ 100 para turistas internacionais em 11 parques nacionais populares, como Yellowstone e Yosemite. A ideia é desencorajar a superlotação nesses locais que já enfrentam longas filas e acúmulo de resíduos. Além disso, o preço do passaporte anual para parques aumentou consideravelmente para não residentes, visando controlar o fluxo de visitantes.
Entretanto, a eficácia dessa estratégia é contestada por especialistas. Kevin Jackson, fundador da EXP Journeys, expressou que um aumento nos preços não solucionará o problema de forma eficaz. Ele acredita que a demanda por parques icônicos continuará alta, e que estratégias mais profundas são necessárias para gerenciar o fluxo de visitantes sem afetar negativamente a economia local.
Ações inovadoras em outros destinos
A Jamaica, por outro lado, optou por estratégias de incentivo em vez de restrições. Após os danos causados pelo furacão Melissa, em 2025, a ilha se uniu a operadores de turismo para oferecer seguro contra chuva em pacotes de viagem, estimulando visitas durante a baixa temporada. Essa abordagem visa melhorar a experiência do turista e apoiar a economia local.
Na Espanha, a ilha de Maiorca está utilizando inteligência artificial para otimizar a experiência do visitante. Uma nova plataforma digital irá fornecer dados em tempo real sobre o fluxo de turistas, sugerindo horários e locais alternativos para visitar, evitando assim a superlotação em pontos turísticos.
Iniciativas na Dinamarca
A Dinamarca também está na vanguarda da gestão do turismo, implementando o programa CopenPay, que recompensa turistas por ações sustentáveis, como o uso de bicicletas e a limpeza de áreas públicas. Até agora, a iniciativa já envolveu mais de 30 mil visitantes e demonstrou um aumento na utilização de bicicletas, além de promover hábitos ambientais entre os participantes.
À medida que o turismo global continua a crescer, a busca por soluções criativas e sustentáveis se torna cada vez mais urgente. A experiência de diferentes países pode oferecer insights valiosos sobre como equilibrar a atração de visitantes com a preservação da qualidade de vida dos residentes locais.

