Escala 6×1: Visões dos Empreendedores
Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 tem ganhado destaque, especialmente após o governo federal expressar apoio à mudança. Essa questão afeta diretamente os pequenos negócios, que representam aproximadamente 80% do total de empregos gerados no Brasil desde 2023. Neste contexto, quatro projetos de lei relacionados estão em tramitação no Congresso Nacional. A maioria dos empreendedores brasileiros não vê obstáculos em relação a essa proposta. Um levantamento recente do Sebrae revela que 47% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, acreditam que a alteração não impactará negativamente seus negócios.
A 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae entre novembro e dezembro de 2024, mostra que apenas cerca de 32% dos empreendedores consideram a medida prejudicial. Setores como academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa são os que menos preveem efeitos adversos nas suas operações.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou a importância do diálogo para que mudanças na jornada de trabalho possam ocorrer de forma sustentável. “O Sebrae está ao lado do povo brasileiro, visando promover dignidade e melhor qualidade de vida, possibilitando que as pessoas trabalhem de forma mais eficiente. Acreditamos que o fim da escala 6×1 não só melhorará a vida da população, como pode também gerar mais empregos e aumentar a produtividade”, afirmou Lima.
Estudos e Desafios na Transição
Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (Ipea) sugere que a transição para uma jornada de trabalho reduzida é viável e pode ser absorvida pela economia brasileira sem grandes traumas. Contudo, o relatório destaca que mudanças dessa natureza podem apresentar desafios específicos para pequenos negócios, especialmente aqueles com um número reduzido de funcionários. Empresas com até quatro trabalhadores, assim como aquelas que têm entre cinco e nove funcionários, podem enfrentar maiores dificuldades em organizar suas escalas e lidar com um possível aumento nos custos operacionais.
Para minimizar esses riscos e assegurar uma transição justa, estão sendo discutidas políticas que atendam às particularidades de diferentes setores produtivos. Entre as medidas propostas estão incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas e programas de capacitação que ajudem os pequenos empreendedores a reestruturar suas operações e adotar novas tecnologias.
Atualmente, o governo federal defende que apenas micro, pequenas e médias empresas sejam beneficiadas com a redução gradual da jornada de trabalho, uma vez que muitas grandes empresas já trabalham com um esquema de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Inovação como Resposta às Mudanças
“É essencial que as empresas se preocupem menos com a simples compensação de horas e mais com a adoção de tecnologias e métodos de trabalho que possam aumentar a produtividade. A operação pode se tornar mais eficiente com menos horas de trabalho, transformando essa mudança em uma grande oportunidade de inovação”, conclui o presidente do Sebrae, enfatizando a necessidade de adaptação ao novo cenário.
Aproximando-se de um novo paradigma de trabalho, os pequenos empresários brasileiros parecem estar mais abertos e prontos para essa transição, reconhecendo o potencial de melhoria nas suas operações e na qualidade de vida dos trabalhadores.

