Proposta polêmica em discussão
O deputado federal Paulo Azi (União-AP) acredita que o ano de 2026 é o momento adequado para discutir a mudança na jornada de trabalho no Brasil. Em entrevista à Jovem Pan, Azi, escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como relator da PEC 6×1, expressou otimismo ao afirmar que é possível construir um consenso em torno da proposta, que visa alterar a jornada semanal de trabalho. Apesar de ser um tema controverso, o deputado acredita que a sociedade está madura para essa discussão.
Azi ressaltou sua intenção de elaborar um texto que reflita as necessidades do país e busque apoio na Câmara dos Deputados. Ele enfatizou a importância de ouvir a opinião da sociedade e dos partidos, com a meta de alcançar um consenso que possibilite a aprovação da proposta. “A gente vai ver o que a sociedade pensa, o que os partidos pensam. E aí vamos tentar construir um texto que tenha, pelo menos, um consenso mínimo na sociedade e uma maioria consolidada no parlamento”, comentou o relator.
Impactos da proposta e preocupações do setor econômico
Durante a tramitação da PEC, confederações de diversos segmentos econômicos passaram a manifestar preocupações acerca dos impactos financeiros que a mudança na jornada de trabalho pode gerar. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que a redução da jornada pode resultar em custos adicionais bilionários para as empresas, estimando um aumento de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano nas despesas com funcionários no setor formal da economia.
A CNI considera que a mudança poderá exigir uma maior contratação de trabalhadores ou a realização de horas extras para manter o atual nível de produção. “Você tem setores da nossa economia que são muito intensivos em mão de obra, em que o peso da mão de obra no custo de produção é muito grande. A redução, que ainda não sabemos em que nível vai se dar, vai impactar de forma mais acentuada alguns setores”, pontuou Paulo Azi.
Para mitigar os efeitos negativos, o deputado sugeriu que o governo poderia atuar oferecendo alternativas, como a desoneração da folha de pagamento ou incentivos fiscais, visando proteger os setores mais afetados pela mudança.
Debates acirrados no cenário político
A discussão em torno da PEC 6×1 não é unânime, e a posição do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que se mostrou contrário à proposta, gerou tensões. Rueda afirmou que pretende postergar a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Leur Lomanto Jr. (União-BA). Contudo, Paulo Azi se comprometeu a ouvir todos os lados envolvidos na discussão para buscar um entendimento que possa viabilizar a proposta.
O tema também chamou a atenção de outros segmentos políticos. Os aliados de Hugo Motta, por exemplo, acreditam que o apoio do presidente da Câmara é crucial para a viabilização da proposta. Com a tramitação sendo feita por meio de uma PEC, a situação demanda uma negociação mais ampla, pois o texto precisará de aprovação de três quintos dos parlamentares em ambas as Casas.
Desdobramentos e negociações
O cenário político exige um olhar atento sobre como a proposta será encaminhada. Os integrantes da cúpula do governo avaliam que a votação da PEC pode ser uma excelente oportunidade para mobilizar apoio popular, especialmente considerando a proximidade das eleições. A expectativa é que o governo negocie ativamente para garantir que o texto final atenda às diretrizes da proposta original, evitando surpresas indesejadas.
O deputado Paulo Azi, por sua vez, mantém a esperança de que a discussão resulte em um avanço significativo para a legislação trabalhista do Brasil. “Eu acho que é o momento e que o país tem maturidade suficiente para enfrentar o tema e buscar por melhorias para todos os brasileiros”, finalizou.

