Descoberta arqueológica no interior da Bahia
Um novo sítio arqueológico foi oficialmente registrado no interior da Bahia, mais precisamente no município de Xique Xique. A descoberta tem como um dos responsáveis o estudante Cassiano Santos da Conceição, que frequenta o campus local do Instituto Federal Baiano e é morador da região. Cassiano contou que seu primeiro contato com o sítio foi graças ao pai, que já mencionava o local informalmente.
“Meu primeiro vínculo com o sítio foi quando meu pai, morador da região, levou meus irmãos e a mim para a fazenda Olhos d’Água, onde tomamos banho e conhecemos as pinturas rupestres presentes no local”, relatou o estudante.
Expedição confirma pinturas rupestres e vestígios arqueológicos
As pinturas rupestres estão localizadas em uma propriedade rural na comunidade do Rumo. A descoberta foi comunicada ao professor Romeu Leite, coordenador do projeto Assuruá no IF Baiano, iniciativa criada em 2025 com o objetivo de identificar, estudar e divulgar sítios arqueológicos na região.
“Recebemos a informação do estudante Cassiano sobre a existência de um sítio arqueológico na porção norte do município de Xique Xique, área até então desconhecida para esse tipo de registro. Organizamos uma expedição para coletar dados que foram encaminhados ao Iphan para análise do sítio arqueológico Olhos d’Água”, explicou o professor Romeu.
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A expedição, reunindo pesquisadores e estudantes, ocorreu no final de abril. O grupo confirmou a presença de diversas pinturas com grafismos, além de figuras humanas e animais. A professora Thaise Dias, integrante do projeto Assuruá, destacou outras descobertas feitas durante a visita.
“Durante a expedição na fazenda Olhos d’Água, localizamos um polidor — uma espécie de bacia esculpida em pedra utilizada pelos povos originários para o polimento de ferramentas líticas. Também encontramos vestígios de cerâmicas, o que reforça a importância do sítio para a compreensão da ocupação indígena na região”, afirmou Thaise.
Importância cultural e preservação do sítio arqueológico
Além das pinturas e artefatos, os pesquisadores observaram afloramentos rochosos da formação Tombador, que possivelmente serviram como abrigo para os povos indígenas que habitaram a área. Um dos proprietários da fazenda Olhos d’Água, Jânio Cordeiro, comentou sobre a relevância da descoberta.
“Costumo dizer que este lugar era como uma criança sem registro, onde a história nascia, crescia, envelhecia e desaparecia sem ser reconhecida. Agora, o sítio será reconhecido nacional e possivelmente internacionalmente, o que reforça a importância da preservação desse ambiente. Para mim, isso é motivo de orgulho”, destacou Jânio.
Após a expedição, a equipe compilou registros fotográficos, dados de geolocalização e uma descrição técnica detalhada da área. Todo esse material foi enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que já iniciou o processo de análise e validação do sítio.
O local agora integra o sistema integrado de conhecimento e gestão do Iphan, além do cadastro nacional de sítios arqueológicos, consolidando sua importância para a história e cultura da Bahia.

