Núcleo de Inteligência em Vigilância em Saúde é Apresentado na Bahia
Nos dias 3 e 4 de março, o I Encontro Estratégico de Inteligência em Vigilância em Saúde se destacou como um marco importante para a saúde pública da Bahia. Durante o evento, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), através da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa), apresentou a proposta de criação do Núcleo de Inteligência em Vigilância em Saúde do Estado da Bahia (NIVS Bahia). Este núcleo tem como objetivo principal o fortalecimento da capacidade analítica, a integração de dados e a qualificação das decisões na vigilância em saúde.
A proposta prevê a formação de uma estrutura institucional permanente vinculada à Suvisa, que será responsável pela produção de informações estratégicas para a tomada de decisões em tempo hábil. O encontro também abordou questões atuais cruciais para a saúde pública, como a vigilância de doenças com potencial epidêmico e os impactos das ondas de calor, reafirmando o compromisso com uma vigilância mais integrada e inovadora, capaz de enfrentar desafios emergentes.
A especialista Daniela Medina, que representa a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), destacou os efeitos adversos das ondas de calor sobre a saúde da população. De acordo com Medina, esses eventos de calor extremo podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, afetar a qualidade do ar e levar a riscos de contaminação de fontes de água, além de comprometer a segurança alimentar, favorecendo o surgimento de doenças transmitidas por alimentos.
Um estudo realizado no Rio de Janeiro entre 2000 e 2015 revelou que a exposição a ondas de calor intensas e prolongadas estava associada a um aumento do risco de hospitalizações, em comparação com períodos de calor moderado. Essa informação ressalta a necessidade de estratégias eficazes na vigilância em saúde, especialmente diante dos novos desafios climáticos.
O epidemiologista Rodrigo Said, também da OPAS, apresentou a conferência intitulada “Vigilância Sindrômica em Construção: desafios, escolhas metodológicas e uso estratégico da informação”. Ele explicou que a vigilância sindrômica envolve a coleta, análise e interpretação sistemática de dados clínicos e operacionais antes da confirmação diagnóstica, com o intuito de identificar precocemente padrões incomuns, surtos ou eventos relevantes para a saúde pública. O processo inclui etapas essenciais como a detecção oportuna de sinais, a integração e o tratamento de dados provenientes de várias fontes, como unidades de saúde, UPAs, SAMU, centrais de regulação e hospitais.
Para finalizar a programação, Talita Urpia, técnica da Suvisa/Sesab, fez uma apresentação detalhada sobre a proposta de implantação do NIVS Bahia. Segundo Urpia, essa iniciativa não se resume à criação de uma nova estrutura organizacional, mas sim à consolidação de uma cultura de inteligência em vigilância em saúde no estado. Essa abordagem visa fortalecer a capacidade analítica institucional, promover articulação entre áreas técnicas e produzir evidências qualificadas que subsidiem decisões estratégicas e aprimorem a proteção da saúde da população baiana.

