Retomada das Obras na Fiol 2
As obras do trecho da Fiol 2 (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) entre as cidades baianas de Guanambi e Caetité já foram iniciadas, conforme informou à CNN o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo. Segundo ele, o canteiro de obras está instalado, a mobilização da construtora teve início, e os primeiros projetos para as obras de arte especiais receberam aprovação.
O contrato para a construção deste segmento foi firmado em março deste ano com o consórcio A.Gaspar/Vipetro, com previsão de conclusão até 2029. Essa retomada ocorre em um dos trechos mais complexos da ferrovia, que estava paralisado e precisou de reformulação no projeto original. O traçado foi alterado para afastar a ferrovia da Barragem de Ceraíma, após estudos apontarem riscos geológicos e ambientais na região, garantindo o avanço sem comprometer o licenciamento ambiental.
Desafios e Soluções para o Andamento das Obras
O diretor Ludolfo destacou que o principal desafio agora é estruturar contratos sólidos, solucionar entraves socioambientais e garantir previsibilidade para a execução das obras. Ele reforçou que todos os contratos em andamento possuem recursos garantidos até o final de 2026, embora a continuidade do financiamento dependa da definição orçamentária anual da União. Mesmo assim, projetos em curso tendem a ter prioridade orçamentária.
Além disso, a ferrovia representa uma nova alternativa para o escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia, aumentando a concorrência entre modais de transporte e reduzindo custos logísticos na região.
Entraves Ambientais e Avanços nas Negociações
Em 2023, a Infra S.A. identificou cerca de 74 quilômetros da Fiol 2 bloqueados por impedimentos ambientais, fundiários, espeleológicos e relativos a comunidades tradicionais. Desde então, 46 quilômetros foram liberados graças a negociações, modificações no projeto e obtenção de autorizações ambientais. A expectativa é resolver os cerca de 28 quilômetros restantes até o fim deste ano ou, no máximo, ao longo de 2027.
Grande parte dos bloqueios está associada à presença de cavernas protegidas por legislação, o que demandou mudanças no traçado para preservar áreas espeleológicas de relevância. A estatal também firmou acordos com comunidades quilombolas, liberando trechos que estavam bloqueados desde o início da implantação da ferrovia, há mais de uma década.
Próximos Passos para a Fiol 2
Além da retomada das obras, a Infra S.A. planeja acelerar a implantação da ferrovia nos próximos meses, com expectativa de iniciar o lançamento de cerca de 50 quilômetros de trilhos ao longo do segundo semestre. Também está prevista a publicação do edital para o lote 7, que tem aproximadamente 160 quilômetros de extensão, até o fim do ano. A assinatura do contrato está prevista para o primeiro semestre de 2027, completando a cobertura contratual de toda a Fiol 2.
O diretor reconhece que o calendário eleitoral pode representar um desafio para o cronograma, mas acredita que o avanço nas contratações será possível. “Estamos muito próximos de ter a Fiol 2 totalmente coberta por contratos de obras, o que demonstra ao mercado que o projeto voltou a avançar e garante segurança para a continuidade da ferrovia”, afirmou Ludolfo.
Histórico de Atrasos e Auditoria do TCU
Nos últimos anos, a Fiol 2 acumulou atrasos significativos. Em outubro de 2025, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou demoras consideradas relevantes na execução da ferrovia. Na ocasião, nenhum projeto executivo havia sido aprovado, comprometendo o avanço das obras. Após nove meses de execução de um contrato previsto para durar 26 meses, apenas 3% dos serviços haviam sido medidos, e nenhuma frente de obra havia sido iniciada. O TCU estimou atrasos de nove meses na elaboração dos projetos executivos e de quatro meses no cronograma de execução.
Fiol 2 como Parte do Corredor Logístico Leste-Oeste
A conclusão da Fiol 2 é estratégica para viabilizar o novo modelo de concessão do Corredor Leste-Oeste, que envolve a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Fiol. Segundo o Ministério dos Transportes, a construção da Fiol 3 depende da conclusão das Fiol 1 e 2, além da operação do Porto Sul, formando um corredor logístico entre o interior do país e o litoral baiano.
Atualmente, a Fiol 1 enfrenta dificuldades para avançar, pois a Bamin, que controla essa ferrovia desde 2021, não realizou investimentos para a construção do trecho. Está em andamento um acordo para transferir a concessão para a Mota-Engil, mas a negociação está parada na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), aguardando pedido formal da empresa portuguesa para a compra.
O Ministério dos Transportes espera concluir essa operação em agosto, porém fontes consultadas pela reportagem indicam que a negociação é complexa e envolve múltiplas frentes regulatórias e empresariais, podendo estender o prazo para conclusão do negócio.

