ACM Neto Critica Ações do PT contra Policiais na Bahia
O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, do União Brasil, não hesitou em condenar a perseguição política que, segundo ele, vem sendo praticada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra policiais no estado. Durante uma declaração feita na última terça-feira (7), Neto enfatizou que essa situação é a “demonstração maior do autoritarismo do PT”. O político afirmou que, após 20 anos no poder, os governantes não conseguem distinguir entre o que pertence ao estado e o que é patrimônio do partido. “Eles se acham donos de tudo e acreditam que podem controlar a todos”, afirmou, criticando a forma como os policiais têm sido tratados.
Segundo Neto, a atitude do governo atual é um “absurdo” que também se reflete em um patrulhamento da liberdade de expressão, incluindo tentativas de limitar o espaço para a manifestação pública nas redes sociais e na imprensa. “Essas ações são graves e serão denunciadas ao longo da campanha. O povo baiano está ciente de que essa repressão é resultado do autoritarismo e do desespero de quem vê a derrota à vista nas eleições”, comentou.
A Repressão a Policiais e o Clima de Insatisfação
Nos últimos anos, o governo do PT na Bahia tem sido objeto de críticas por sua postura considerada repressiva em relação a policiais que têm opiniões divergentes da linha ideológica do partido. Os descontentamentos são exacerbados por episódios de exoneração de policiais que manifestam apoio à oposição. Enquanto isso, dentro das corporações, a sensação é de que as penalizações não se aplicam da mesma forma a aqueles que estão alinhados ao governo estadual.
Um caso recente que exemplifica essa situação ocorreu em março, quando o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) decidiu exonerar um policial militar de uma função de coordenação, apenas duas semanas após ele ter expressado publicamente apoio a ACM Neto durante um evento de Carnaval. O tenente-coronel André Luís Teodósio Presa, que se manifestou de forma emocionada ao pedir a vitória de Neto, viu sua carreira ser seriamente prejudicada por isso.
O episódio, que teve grande repercussão na mídia nacional, incluindo cobertura do jornal Folha de S. Paulo, ilustra a crescente insatisfação entre as tropas policiais da Bahia. Este não é um caso isolado: em setembro de 2022, Rui Costa, ex-governador do estado, também exonerou o tenente-coronel Itamar Gondim, após este ser flagrado em evento de apoio a ACM Neto. Jaques Wagner, senador do PT e candidato à reeleição, chegou a justificar a exoneração, afirmando que era inadmissível que um policial ocupasse um cargo de confiança se manifestando contra o governo que o nomeou.
A Imposição do Silêncio e as Reações da Sociedade
A situação atual levanta questões sobre a liberdade de expressão e a relação entre o estado e suas instituições, especialmente no contexto das forças de segurança. A necessidade de um equilíbrio entre a opinião pessoal dos policiais e suas funções públicas é um tema delicado, mas que, segundo críticos, não pode se sobrepor ao direito fundamental de se manifestar.
As declarações de ACM Neto refletem não apenas um descontentamento com a atual administração, mas também um apelo à população baiana para que reexamine as práticas de governança do PT. O clima de tensão entre a polícia e o governo parece estar se intensificando, o que pode ter consequências significativas nas próximas eleições. Os policiais, agora mais do que nunca, se veem em uma encruzilhada: lutar pela liberdade de expressão ou se conformar com um regime que parece cada vez mais autoritário.
Enquanto isso, a sociedade civil observa atenta às movimentações políticas e às repercussões que elas podem ter em um estado que, segundo muitos, já presenciou suficientes episódios de controle e censura. O que parece claro é que a questão da liberdade de expressão e a relação entre políticos e forças de segurança continuarão a ser temas centrais na política baiana nos próximos meses.

