Cenário Econômico em 2026
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 deve refletir a desaceleração iniciada em 2025, caracterizada por juros elevados que controlam a inflação e medidas fiscais e de crédito que tentam impulsionar o crescimento do país. Economistas e analistas de mercado preveem um crescimento de cerca de 1,7%, uma leve queda em relação à taxa projetada de 2% para o ano anterior.
No entanto, é importante ressaltar que os riscos de uma inflação persistente permanecem. Mesmo com a expectativa de redução nas taxas de juros, estas não devem cair o suficiente para estimular a economia, encerrando o ano entre 12% e 12,75%, uma taxa ainda restritiva para o crescimento econômico.
Para 2026, a abordagem deve ser de cautela, mas sem um pessimismo excessivo. O cenário delineado por instituições financeiras de grande porte indica que, apesar da perda de impulso em comparação a 2025, o governo deverá implementar uma série de medidas que irão beneficiar todos os níveis: municipal, estadual e federal, especialmente em um ano eleitoral.
Desafios Externos e Inflação
Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre, aponta que setores cíclicos como indústria, comércio e construção civil devem continuar enfrentando os efeitos da política monetária, o que levará a um crescimento mais lento do que outros setores, como o agronegócio. Este último, por sua vez, tende a ser menos impactado pelas restrições de juros.
Matos ressalta que, em 2026, o Brasil pode não contar com um cenário externo favorável, como aconteceu em 2025, quando a desvalorização do dólar facilitou o controle da inflação. A ausência dessa dinâmica pode fazer com que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo, prejudicando o desenvolvimento econômico.
De acordo com o Monitor do PIB da FGV, o Brasil enfrentou um ano relativamente favorável para a inflação, mas a economista alerta que a situação em 2026 poderá ser diferente. “Em 2025, tivemos sorte. A grande questão que nos resta é: será que 2026 será igual?”
Projeções e Expectativas do Setor Financeiro
O Itaú Unibanco revisou sua previsão para o PIB em 2026, ajustando-a de 1,5% para 1,7%, enfatizando o impacto das políticas públicas. Em um relatório elaborado pelo economista-chefe Mario Mesquita, o banco aponta que o crescimento será mais acentuado no primeiro semestre, seguindo um padrão sazonal associado às safras, embora essa intensificação deva ser menor em comparação a anos anteriores.
Entre os fatores que podem contribuir para esse crescimento, o Itaú destaca a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o programa Minha Casa Minha Vida e iniciativas sociais como “Luz para Todos” e “Gás do Povo”.
Por sua vez, a XP Investimentos mantém a previsão de alta de 1,7% para o PIB em 2026, com um relatório assinado por seus economistas-chefes, Caio Megale e Rodolfo Margato, que acreditam que as medidas de estímulo devem adicionar cerca de 0,8 pontos percentuais ao crescimento do PIB.
Expectativas e Desafios para o Mercado
A equipe da XP também aponta para uma aceleração na economia, impulsionada pelos efeitos da reforma do Imposto de Renda e pelo aumento das concessões de crédito para o setor privado. Entretanto, destaca que o hiato do produto, que representa a diferença entre o PIB potencial e o efetivo, deve permanecer próximo de zero, ou seja, a economia estará operando em sua capacidade total.
Enquanto os grandes bancos veem um suporte fiscal, gestores e executivos do mercado financeiro expressam preocupações com o custo do dinheiro. A taxa Selic, projetada para encerrar 2026 entre 12,00% e 12,75%, continua sendo um fator limitante significativo para o crescimento.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, compartilha uma visão mais conservadora, prevendo um crescimento modesto de aproximadamente 1%, condicionado à estabilidade fiscal e a uma sinalização clara do Banco Central sobre a redução da Selic.
Setores em Divergência: Agro e Indústria
Apesar da desaceleração geral, os setores não estão todos na mesma velocidade. A XP aponta que o setor de serviços permanece aquecido, com uma inflação projetada em 5,3% para 2026, acima da meta estipulada. Em contrapartida, o agronegócio continua a ser um motor relevante da economia, com expectativas de um novo recorde na produção agrícola, impulsionado por novos terminais portuários que aumentarão a capacidade de exportação.
O Itaú também alerta para os desafios enfrentados pela indústria, que pode lidar com estoques elevados e uma média de câmbio em torno de R$ 5,50. A inflação oficial, medida pelo IPCA, está projetada em 4,2% tanto pelo Itaú quanto pela XP, acima do centro da meta, o que justifica a cautela do Banco Central.
O ano de 2026 se apresenta como um período de ajustes. Se, de um lado, o governo está injetando recursos através de programas sociais e crédito, por outro, a política monetária deve permanecer contracionista para controlar a inflação de serviços. Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado espera um “pouso suave”, onde a economia “não desaba, mas também não decola”.

