Celebrando a Contribuição Feminina na Ciência
A entrega do Prêmio Mulheres e Ciência, realizada em 5 de março na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), emocionou as pesquisadoras, representantes do Governo do Brasil e lideranças do setor científico. O evento simbolizou a esperança e a união em pro da valorização do papel feminino na ciência, destacando a importância das mulheres na pesquisa e inovação.
Este prêmio é destinado a pesquisadoras que têm se destacado na produção científica de excelência e no avanço tecnológico do Brasil, além de jovens mulheres do programa Asas para o Futuro, promovido pelo Ministério das Mulheres. A iniciativa também reconhece instituições que estão comprometidas com a construção de um ecossistema científico mais inclusivo e diverso.
A ministra do MCTI, Luciana Santos, enfatizou que a valorização das mulheres na ciência é um passo fundamental para aumentar a capacidade do Brasil em gerar conhecimento de ponta e promover inovações com impacto social. “Esse é o caminho para as novas gerações. Que esse prêmio siga crescendo e se consolide como uma política de Estado. Todo menino e menina brasileira deve se ver na ciência como protagonistas de suas histórias”, defendeu. Ela reforçou que o espaço das mulheres é onde elas desejarem, incluindo as áreas de ciência, tecnologia e inovação.
Expandir a participação feminina na ciência também é visto como uma estratégia crucial para o desenvolvimento econômico e social do país, conforme afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. “Ao criar oportunidades, meninas e mulheres podem almejar metas mais altas, transformar suas vidas e, por conseguinte, mudar o futuro do Brasil. Formação, apoio educacional e políticas de cuidado são fundamentais nesse processo”, ressaltou durante a cerimônia.
O presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, destacou que o prêmio faz parte de um conjunto maior de ações voltadas à promoção da equidade de gênero na ciência. Ele salientou que as barreiras para a igualdade de gênero são profundas, fruto de séculos de uma sociedade machista. “Prêmios como este são essenciais para enfrentarmos essas desigualdades”, afirmou.
Embora a participação feminina tenha crescido na pós-graduação, onde as mulheres já representam a maioria entre os alunos de mestrado e doutorado, desafios ainda permanecem nas etapas mais avançadas da carreira acadêmica. “Premiações como esta são importantes, mas não podemos nos acomodar: ainda há muito a ser feito. As instituições de ensino e pesquisa são cruciais na luta contra as desigualdades de gênero na ciência”, alertou a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Carvalho.
Mulheres que Transformam a Ciência: Vencedoras do Prêmio Mulheres e Ciência
Nesta edição, o prêmio reconheceu notórias pesquisadoras em três categorias: incentivo, estímulo e trajetória, além de instituições que desenvolvem políticas voltadas à promoção da equidade de gênero na ciência.
CATEGORIA INCENTIVO
Lara Dourado Borges, do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), começou sua jornada científica aos 17 anos, após ser incentivada por professores a explorar seu interesse por matemática e ciências. A estudante acredita que o prêmio simboliza a possibilidade de meninas e mulheres se destacarem na ciência.
Laíza de Almeida Bridge, de 18 anos, também foi reconhecida. Sua jornada começou com uma bolsa integral em um curso técnico sobre energias renováveis. Ela aprimorou seus conhecimentos no Ifes e agora estuda engenharia, vendo o prêmio como uma grande honra.
Já Raíssa da Luz Rangel, do Instituto Federal da Bahia (IFBA), tem apenas 16 anos e é uma estudante do curso técnico de metalurgia. Para ela, receber o prêmio é um marco que representa não só suas conquistas pessoais mas também uma homenagem à sua família, que enfrentou desafios para garantir acesso à educação.
CATEGORIA ESTÍMULO
Gabriela Lotta, da Fundação Getulio Vargas (FGV), começou sua trajetória acadêmica em administração pública e agora é professora e pesquisadora. Ela acredita que o prêmio traz um impacto coletivo, encorajando outras mulheres a acreditarem na ciência.
Letícia Couto Garcia, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), enfatizou que o reconhecimento vai além da carreira individual e dá visibilidade às pesquisas que desenvolve. A premiação destaca a importância do suporte financeiro à ciência.
Por sua vez, Rita de Cássia dos Anjos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), reforçou que a diversidade é essencial para o progresso científico e que o prêmio representa esperança para as novas gerações de cientistas.
CATEGORIA TRAJETÓRIA
A médica e pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da UFMG, expressou que o prêmio celebra a trajetória coletiva e que seu trabalho é um reflexo das contribuições coletivas da ciência.
Teresa Bernarda Ludermir, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destacou a importância da visibilidade das mulheres na ciência, especialmente em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
Por fim, Liliam Cristina Barros Cohen, da Universidade Federal do Pará (UFPA), começou sua carreira na infância e agora analisa os desafios enfrentados por cientistas da região Norte, salientando que a diversidade traz formas inovadoras de compreensão do mundo.
CATEGORIA MÉRITO INSTITUCIONAL
A Universidade Federal do Pará recebeu o prêmio pela criação de um comissão voltada à equidade de gênero, com políticas que envolvem desde a gestão acadêmica até o suporte às estudantes. Já a reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria José de Sena, destacou ações voltadas à valorização das mulheres, incluindo iniciativas práticas como o auxílio menstrual.

