Diálogo e Construção de Políticas Públicas
Na última segunda-feira (6), o Museu de Arte da Bahia (MAB) foi palco da abertura do programa (re)Conexões 2026, uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em parceria com a Secretaria de Cultura da Bahia, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC). O evento reuniu especialistas, gestores e profissionais do setor museal de diferentes regiões da Bahia, promovendo um espaço de diálogo e troca de experiências.
O foco do programa é a construção participativa de políticas públicas para os museus, buscando fortalecer o setor em âmbito nacional. A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, ressaltou a importância do (re)Conexões como um espaço de escuta e articulação entre as diferentes entidades. “Esse programa integra a agenda nacional de fortalecimento das políticas museais e fomenta a elaboração coletiva de propostas a serem apresentadas no Fórum Nacional de Museus, que acontecerá em novembro”, enfatizou Castro.
Temáticas e Estrutura do Programa
O (re)Conexões é estruturado em ciclos temáticos que acompanham as demandas do setor. Entre os tópicos discutidos estão a reformulação do Sistema Brasileiro de Museus, a criação de um Sistema de Participação Social e a normatização do Fórum Nacional de Museus. O objetivo é ampliar a representatividade e capacidade deliberativa dessas instituições.
Fernanda Castro também abordou a necessidade de atualizar os marcos legais que regem o sistema. Segundo ela, embora o Sistema Brasileiro de Museus tenha mais de 20 anos, ainda existem lacunas que restringem sua efetividade, especialmente no que diz respeito à inclusão de redes, movimentos e instituições de ensino. “É crucial que os normativos sejam atualizados para que possamos acompanhar as transformações do setor e ampliar a participação social e o investimento”, destacou.
Cooperação Técnica e Avanços na Política Museal
A abertura do evento foi marcada pela assinatura de um termo de cooperação técnica entre o IPAC e o Ibram, com o intuito de fortalecer a articulação entre os níveis estadual e federal. Essa iniciativa visa qualificar a gestão do setor e promover ações que valorizem o patrimônio cultural brasileiro.
O diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, representando o Governo da Bahia, mencionou os recentes avanços na política museal do estado, citando ações voltadas para a preservação do patrimônio e ampliação do acesso. Exemplos incluem a reabertura do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho e a criação do Memorial das Matriarcas Odé Kayodé, além do Programa Estudantes nos Museus, que visa formar novos públicos e aproximar os espaços culturais da sociedade.
“Receber o (re)Conexões no nosso ‘museu-mãe’ fortalece a importância histórica desse espaço para a cultura baiana. A presença do Ibram na Bahia também marca um momento de reestruturação das políticas culturais no Brasil. É essencial fortalecer o pacto federativo para criar museus cada vez mais democráticos e conectados com a sociedade”, declarou Lemos Filho.
Investimentos e Fomento ao Setor Museal
A diretora de Museus do IPAC, Adriana Cravo, destacou a importância do acesso a recursos e os investimentos em requalificação de equipamentos culturais, além da valorização de narrativas historicamente invisíveis. Segundo ela, as ações recentes demonstram uma política estruturada em diversas frentes, envolvendo financiamento, inovação e democratização do acesso.
“O fomento não se limita a um apoio financeiro, mas tem se configurado como um importante instrumento de articulação e fortalecimento do campo museal, estimulando a elaboração de planos museológicos e o desenvolvimento de projetos estruturantes para os museus baianos”, observou Cravo.
A programação do (re)Conexões segue nesta terça-feira (7), no Museu Carlos e Margarida Costa Pinto, onde ocorre a oficina “Gestão de Riscos ao Patrimônio Musealizado”, destinada a profissionais e gestores de acervos.

