O Projeto Harpia e a Luta Contra o Desmatamento
O avanço silencioso do desmatamento na Bahia encontra um adversário robusto: o Projeto Harpia. Desenvolvido em 2016 pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), através da Coordenação de Tecnologia da Informação e Comunicação (COTIC), o Harpia emergiu como uma das principais ferramentas estaduais para o monitoramento da vegetação nativa, com ênfase especial na Mata Atlântica.
No contexto de um período em que a utilização de bancos de dados a partir de imagens de satélite ainda era uma novidade no setor ambiental estadual, o Harpia foi criado com um objetivo claro: fornecer ao Estado dados precisos e sistematicamente organizados, fundamentais para fortalecer o combate ao desmatamento.
Adriano Cassiano, coordenador de Geoprocessamento do Inema, destaca que o projeto foi concebido para acompanhar continuamente os remanescentes de vegetação dentro do território baiano. ‘O Harpia é um projeto de monitoramento dos remanescentes de vegetação no estado da Bahia. Por meio da análise comparativa de imagens ao longo do tempo, conseguimos detectar reduções na cobertura vegetal nativa, dimensionar essas áreas e entender quando esses eventos ocorreram’, explica.
Monitoramento em Tempo Quase Real
Na prática, o sistema emprega imagens do satélite Sentinel, que são disponibilizadas quase diariamente. Essas imagens são utilizadas em análises comparativas para identificar mudanças na cobertura vegetal, com foco especial na Mata Atlântica da Bahia.
Além das imagens, o projeto incorpora tecnologias de geoprocessamento, como TerraAmazon e QGIS, que são essenciais para a visualização e auditoria de dados. Também são utilizados gerenciadores de banco de dados, como o DBeaver, que ajudam a consolidar informações e a gerar análises estratégicas.
Os dados são atualizados diariamente e podem ser acessados através da interface do Geobahia, onde são disponibilizados de forma espacial, permitindo análises comparativas por equipes técnicas e de fiscalização.
Uma Ferramenta Estratégica para a Proteção Ambiental
Eduardo Topázio, diretor-geral do Inema, afirma que o Harpia representa um avanço significativo na política ambiental do Estado. ‘O Harpia consolida um sistema de informações sobre desmatamento que é específico, acessível e completamente estadual. Isso fortalece nossas ações de vigilância e monitoramento, tornando o combate ao desmatamento mais estratégico e eficiente’, destaca.
De acordo com Topázio, a ferramenta se tornou crucial para a preservação das matas nativas na parte leste da Bahia, onde se concentra uma quantidade significativa dos remanescentes da Mata Atlântica.
Resultados Concretos do Projeto Harpia
Os resultados já demonstram impactos positivos. Em 2022, o pior ano em termos de desmatamento desde o início do projeto, mais de 50 mil hectares foram desmatados. No entanto, os números começaram a apresentar uma queda significativa: a área desmatada foi reduzida para pouco mais de 20 mil hectares no ano passado. Essa redução superior a 50% evidencia a importância do monitoramento contínuo, aliado às ações de fiscalização e responsabilização.
A Participação da Sociedade é Fundamental
Além do emprego de tecnologias avançadas, o combate ao desmatamento também depende da colaboração da sociedade. A denúncia de ações ilegais que impliquem desmatamento ou degradação de áreas florestais é essencial para acelerar ações de fiscalização. Os cidadãos podem acessar o Disque Denúncia do Inema pelo telefone 0800 071 1400 ou pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br, contribuindo assim para a proteção do meio ambiente na Bahia.

